A maturidade humana e o sucesso do casamento
Quinta-feira, Junho 1, 2006

A maturidade humana não só é importante, mas é essencial! No entanto, hoje em dia não há ideias claras acerca da maturidade ou autorealização. Podemos dizer que as confusões mais frequentes são estas:
– confunde-se a maturidade (ou autorealização) com a realização profissional:
– confunde-se a maturidade humana com a realização social;
– confunde-se a maturidade humana com a gratificação.

Primeira confusão: troca-se a maturidade com a realização profissional.

É fácil ouvir dizer: “Eu sinto-me realizado fazendo de médico, de assistente social, de enfermeiro, de juiz…”. O erro, que está por de trás desta confusão, é o de que se procura a realização fora de si, no fazer algo. Ao contrário, a realização de nós mesmos não tem a ver com o fazer, mas com o ser: o fazer é só uma oportunidade que deve ser desfrutada para “ser mais”.
Se um médico, por exemplo, exerce a sua profissão com seriedade, com competência, com amor para com os doentes, com espírito de serviço…, cresce no seu ser, torna-se uma obra-prima, um primor de pessoa.

Segunda confusão: troca-se a maturidade com a realização social, entendendo por realização social aquele estado de vida que nos põe em relação com os outros.

Há quem pense que realizar-se no matrimónio, no estado religioso, no estado sacerdotal, na concretização da maternidade-patrimonial, na função que se desenvolve, etc. Na base desta confusão está o seguinte erro: pensa-se que estar situados signifique ser mais. Ora isto é claramente um engano. Podemos estar situados num estado de vida social muito elevado e sermos muito imaturos. Também aqui temos que dizer que o estado de vida ou o estado social em que estamos situados devem ser uma oportunidade de crescimento, mas não nos fazem crescer automaticamente.

Quem vive o estado matrimonial no amor, na fidelidade, no diálogo, na tarefa educativa… cresce, torna-se uma obra-prima de homem ou de mulher. Quem desenvolve o seu papel de “primeiro ministro” na justiça, na honestidade, no serviço ao povo… cresce. Que o estado de vida ou o estado social, em que estamos situados, façam crescer depende do modo como vivemos.

Terceira confusão: troca-se a autorealização com a autogratificação.

Pensa-se que “ser realizados” signifique: “experimentar prazer”, “sentir emoções”, “sentir-se bem numa situação”, “receber estima, compreensão, afecto…”. Devemos dizer também aqui que o facto de receber gratificações pode ser uma ocasião de crescimento: contudo, muitas vezes, é uma ocasião para nos tornarmos mais infantis.

Pode viver-se o prazer por egoísmo ( e então tornamo-nos mais “crianças” para amadurecer no amor conjugal ( e então cresce-se).

A estima ou o afecto que recebemos, podem ser o empurrão para um ulterior egocentrismo ou podem tornar-se uma oportunidade para vencermos o sentido de não-acolhimento de nós próprios, para começarmos a estimar-nos e amarmo-nos de verdade e para aprendermos a estimar e amar os outros.

Portanto, o modo com que vivemos as gratificações pode amadurecer-nos ou empobrecer-nos.