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A Importância de Dizer Basta*
Quarta-feira, Agosto 5, 2009

É comum dizer que o futuro dos povos está nas suas mãos, querendo com isso colocar o povo no centro da acção de onde foi arredado pelos defensores dos mitos, santos, heróis e homens providenciais. Isto é, a hiper valorização do feito individual em detrimento da façanha colectiva.

Não se pense que esta é uma questão menor ou académica a que não vale a pena dedicar umas letras e alguma atenção. Quem estende a dominação sobre os povos e quem por palavras justifica esse domínio actuam de modo a que os dominados achem tudo normal, sejam levados a pensar que sempre foi assim e não vale a pena contrariar o processo histórico, como fazem algumas correntes filosóficas, com destaque para o marxismo.

Antes do 25 de Abril de 1974 ouvia-se o fascismo e seus apaniguados dizerem que o povo português não estava preparado para eleições e que não podia haver liberdade sob pena de recomeçarem as zaragatas internas, as constantes mudanças de governos. A Revolução dos Cravos devolveu ao Povo a liberdade confiscada, a possibilidade de escolher entre diferentes opções políticas e Portugal avançou décadas recuperando parte do muito atraso que o separa de outros povos europeus.

Já antes, em outras épocas da nossa história nacional, o povo encheu-se de brio e de coragem e disse aos nobres ou à burguesia por onde era o caminho da dignidade e da honra. Foi assim na formação da nacionalidade quando apoiou Afonso Henriques contra os centralistas de Leão e Castela. Foi assim em 1383 quando se juntou ao Mestre de Avis contra os capitalucionistas. Foi assim em 1640 contra os colaboracionistas. Os pregadores da dominação dos povos sabem que os marxistas têm razão quando afirmam que a primeira condição para um povo se libertar das amarras e do medo é ter consciência que é vítima de injustiças e que os responsáveis por elas estão no seu seio, mascarados de amigos para melhor enganar.

Os Taipenses são gente orgulhosa da sua história e dos seus Antepassados que tem sido explorada por arrivistas sem conhecimentos, sem cultura política, que se serve dela para fins privados.

Já se ouvem ao longe os discursos dos pregadores de promessas. Vão prometer o que antes prometeram e nunca realizaram. Os pregadores de promessas sabem que este Povo é sincero e crente. Acredita em quem promete melhor e só protesta depois de muito vigarizado. É a nossa sina, dizem uns. É teimosia, dizem outros. Não tem que ser assim e pode ser de outra maneira, digo eu.

* devido a uma troca nos ficheiros informáticos, o texto constante na página 5 da edição de Agosto do jornal REFLEXO não corresponde ao que na realidade deveria ter sido publicado. Tentando corrigir este lapso irremediável, publicamos neste espaço o texto que deveria ter sido publicado na edição impressa. Por este episódio pedimos desculpa ao autor e aos nossos leitores.