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A fórmula da inteligência
Sexta-feira, Novembro 20, 2015

Alexandra Azevedo
Médica Interna de MGF na USF de Ronfe

Na era do conhecimento em que vivemos, todos procuram a fórmula para “ser mais inteligente”, tendo vindo a aumentar o uso, principalmente por parte dos estudantes e em determinadas profissões, de produtos que alegadamente melhoram a inteligência, a memória, aceleram o raciocínio e evitam o esgotamento físico.

Cientificamente, estes produtos são designados como nootrópicos, que vem do grego “dobrar” a “mente”. Existem em várias formulações, desde comprimidos, chás ou bebidas que se vendem em supermercados, farmácias ou ervanárias, muitos sem receita médica, mas também facilmente acessíveis em sítios como a internet.

Terão, de facto, o efeito que prometem e sem danos colaterais indesejáveis?

Seguramente, se não houver estímulo cognitivo e dedicação ao estudo, não será um comprimido que fará o estudante começar a ter 20 valores a todas as disciplinas. O sucesso do desempenho cognitivo é muito mais complexo que tomar um simples produto. Além disso, muitos dos produtos utilizados para este efeito são usados no tratamento de doenças conhecidas como a doença de Alzheimer, o défice de atenção ou o distúrbio de hiperatividade e não totalmente desprovidos de efeitos adversos ou até mesmo contrários aos desejados. Alguns dos efeitos secundários são dores de cabeça, enjoos, ansiedade, tremores, palpitações…. Também não se sabe qual o efeito a longo-prazo pelo uso continuado destes produtos: uma dependência, um declínio cognitivo mais precoce? O fármaco ideal e sem efeitos secundários, simplesmente, não existe.

Assim nos questionamos se não haverão outras formas de melhorar o desempenho cognitivo sem ter de enveredar pela toma de tais produtos?

Ora, uma prática de exercício físico regular melhora a oxigenação e nutrição dos neurónios, porque fazem crescer os vasos sanguíneos no cérebro. O cérebro funciona como um músculo, pelo que se o estimularmos ele vai-se desenvolver. Aprender uma língua ou tocar um instrumento musical são atividades que estimulam partes do cérebro que, habitualmente, usamos menos e, portanto, são ótimos estimulantes. Fazer períodos de reflexão sobre os variados temas do nosso dia-a-dia também é um exercício que mantém o cérebro ativo. E da mesma forma que os músculos precisam de descansar após o exercício, também o cérebro necessita repousar, dormir as horas suficientes durante a noite. Fazer uma pequena sesta (aproximadamente 30 minutos) após o almoço melhora, também, o desempenho cognitivo. Uma alimentação variada em sais minerais, vitaminas, aminoácidos e outros nutrientes essenciais é importante para as necessidades do cérebro. Evitar o stress excessivo é outro ponto-chave para melhorar a memória. Quando estamos sob stress libertam-se grandes quantidades de cortisol que pode ter efeitos nocivos para a aprendizagem. Quando estiver a estudar, se usar os diferentes sentidos, principalmente visão e audição, irá aumentar a probabilidade de reter a informação.

Antes de decidir tomar algum destes produtos informe-se consultando o seu médico.