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A Crise Climática e a Greenweek
Quinta-feira, Setembro 19, 2019

As alterações climáticas são o desafio mais determinante e urgente que a humanidade já enfrentou. Quem o diz é a comunidade científica, que refere como amostras do que há de vir o aquecimento global, o degelo na Gronelândia ou o recente furacão Dorian.

Na próxima semana, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque será palco de importantes encontros para o futuro de todos os povos, como a Cimeira para a Ação Climática e a Cimeira dos Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável.

Como forma de alertar e mobilizar a população, e colocar pressão nos dirigentes, foram instituídas a Semana pela Ação Climática e a Semana Global para a Ação para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Reconhecendo a importância destas cimeiras, também os jornalistas de todo o mundo foram convocados a aderir ao projecto Covering Climate Now, dando visibilidade à crise climática. Este é o meu modesto contributo, à escala do alcance deste jornal, e numa perspectiva local, como aliás é meu hábito.

A GreenWeek, descrita pelo município como “a festa que promove as boas práticas ambientais e celebra o ambiente”, e que este ano, para além de coincidir com as referidas semanas também coincide com a Semana Europeia da Mobilidade, tinha aqui uma oportunidade e (digo eu) responsabilidade acrescida de ser menos “festa” e “celebração” e muito mais alerta e consciencialização, mas apresenta-se com um programa que fica aquém do que seria expectável em qualquer município, sendo uma grande decepção num concelho que se diz inovador e referência em questões ambientais.

Apesar de ser “comunicada” como sendo parte integrante da Semana Europeia da Mobilidade, e apesar desse compromisso, a GreenWeek não faz qualquer referência ao seu tema “Caminhar e pedalar em segurança”, falhando o objetivo de evidenciar que estas formas ativas de transporte trazem muitos benefícios à nossa saúde e ao Ambiente.

Relembre-se que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (que esteve dois anos a ser elaborado, um mês em discussão pública, e que entretanto voltou a hibernar), na sua estratégia, dá prioridade ao pedonal, ciclável e transporte público e preconiza o desincentivo do automóvel particular, estando alinhado com as directrizes europeias nesta matéria.

Mas a realidade é bem diferente. No início deste mês lia-se num jornal local que os “atropelamentos aumentam em Guimarães” e que as “autoridades já registaram 53 atropelamentos este ano”. Na semana seguinte, no mesmo jornal, lia-se: “Atropelado quando rebocava um carro morreu no hospital”; “Jovem atropelada na Rua Abade Tagilde”; “Homem atropelado no centro das Taipas”.

Quem se sente motivado para caminhar, pedalar ou andar de transportes públicos no concelho? O que foi feito nesse sentido? E quem sente que agora tem melhores condições de se deslocar e estacionar no seu carro? E quem se manifesta perante estas evidências?

A jovem Greta Thunberg, no discurso que fez na Assembleia das Nações em Paris, e com a sua habitual lucidez diz “acreditar que o maior perigo não é a nossa inação. O verdadeiro perigo é quando as empresas e políticos nos fazem crer que existem ações a decorrer, quando na verdade quase nada acontece para além de esperteza contabilística e relações públicas criativas”.

Termino desafiando os leitores a procurar mais informação sobre a Crise Climática, e que depois disso feito tentem imaginar as consequências das medidas que terão de ser tomadas e a capacidade de resiliência de Guimarães e seus habitantes.