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A Circular
Quinta-feira, Fevereiro 8, 2018

Foi notícia recente na imprensa local a intenção do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Dr. Domingos Bragança, concluir a denominada circular urbana, resultando esta vontade das reuniões que manteve para a execução do Plano de Mobilidade Sustentável.

Fernando Távora no Plano Geral de Urbanização, de 1982, propõe uma reformulação de todo o sistema viário, onde se destaca uma “Grande Via Circular” com “acessos condicionados e ligações desniveladas” para desviar o tráfego de atravessamento da zona central e servir zonas de expansão da cidade.

A circular urbana foi inaugurada há cerca 16 anos com um perfil que contemplava apenas uma faixa de rodagem para cada um dos sentidos e sem separador central, situação que permitiu a ocorrência de bastantes acidentes provocando enormes prejuízos financeiros e mais grave ainda, a perda de vidas humanas. A duplicação das vias, a colocação do separador central e o desnivelamento do Nó do Castanheiro vieram mais tarde do que o desejado, mas resolveram as deficiências do traçado anterior. Como a duplicação foi executada dentro do traçado anterior, não se alargando o percurso, as faixas de rodagem ficaram bastante reduzidas e ficou por resolver o seu fechamento até hoje.

Esta notícia sobre a necessidade de concluir a circular merece o meu mais sincero aplauso e também a minha grande estupefação. Aplauso porque há muito reivindicamos a conclusão desta infraestrutura rodoviária e que o anúncio da sua execução, para nós, é positivo e só peca por tardio. A este propósito, na última campanha eleitoral, levantei esta questão em alguns debates realizados, envolvendo todos os candidatos, actual presidente incluído, dada a importância que a conclusão da circular tinha para o ordenamento do trânsito, que ainda hoje atravessa o centro da cidade causando engarrafamentos e provocando poluição ambiental e sonora que poderiam ser evitados. Sobre esta matéria, o silêncio foi sempre a resposta utilizada pelo então candidato e actual presidente da Câmara Municipal, que hoje vem dizer que “em matéria de mobilidade, há um tramo de estrada que me parece muito importante concluir e quero avançar com a execução dessa obra que é prioritária”(sic)!

Porque razão uma matéria tão assumidamente importante agora, foi completamente ignorada no passado, chegando ao ponto de, nem tampouco, constar do programa eleitoral do PS? Foi preciso o senhor presidente da Câmara assistir à preparação dum Plano de Mobilidade para se aperceber daquilo que muitos vimaranenses já se aperceberam, de que há enormes constrangimentos de trânsito na rodovia de Covas e na Av. D. João IV, Largo da República do Brasil e Avenida Alberto Sampaio?

Ou será que os argumentos utilizados pretendem apenas diluir a importância que a oposição sempre atribuiu, ao contrário do PS, à necessidade de concluir esta Circular?