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A beleza
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

Ao falarmos de beleza, temos de distinguir entre o que é subjectivo e o que é objectivo.

Quando amamos uma pessoa, consideramo-la bela. Por exemplo, para uma mãe os seus filhos serão sempre muito belos, mesmo que algum deles não seja propriamente um candidato a um concurso de beleza. A isto é o que chamamos beleza subjectiva. Projectamos o nosso amor numa pessoa e ela torna-se para nós bela.

Existem, além disso, os elementos objectivos da beleza: proporção do corpo, aspecto do rosto, maneira de andar. Os concursos de beleza exploram esta beleza. A cultura audiovisual apresenta certas pessoas como modelo para quem quer ser belo, uma beleza que muitas pessoas procuram apaixonadamente possuir.

Estes dois aspectos da beleza, o subjectivo e o objectivo, são importantes.

É, de facto, importante a beleza objectiva. Por isso, convém que cada pessoa saiba valorizar o próprio corpo.

Numa lógica platónica, o corpo é apenas a prisão da alma. Mas esta forma de pensar não coincide com a visão bíblica do corpo. De facto, a pessoa humana é um todo, corpo e espírito. A pessoa é um espírito encarnado, um espírito que se expressa e comunica com o corpo. E o corpo humano deve expressar beleza, bondade, alegria de viver.

Por conseguinte, cada qual deve descobrir o que de belo existe no seu corpo e realçar essa beleza. Além disso, deverá assumir o que objectivamente se pode considerar fealdade: demasiada gordura, proporções menos harmoniosas, algum defeito físico. Deverá também cuidar do seu corpo, mantendo-o belo, seja com uma higiene adequada seja na forma de vestir.

Importa valorizar o corpo, pois é algo tão belo que Jesus Cristo, o Filho de Deus, quis encarnar, assumindo um corpo igual ao nosso. E certamente seria um homem belo.

Mas a beleza não se esgota nos aspectos físicos. É preciso dar beleza ao espírito. Esta beleza é feita do melhor de nós próprios, dessa beleza interior que todos possuímos. Temos valores como a simpatia, a alegria, a solidariedade, a amizade, a paz…

Devemos pôr a render as nossas qualidades espirituais. É sabido que todos temos potencialmente muitas qualidades humanas. O que acontece é que muita gente não as sabe explorar e estas ficam escondidas, à semelhança de um minério que, embora valioso, fica escondido no interior da terra. Dizem os estudiosos que, habitualmente, exploramos apenas cerca de dez por cento das nossas potencialidades positivas.

Por conseguinte, é urgente desenvolver qualidades como, por exemplo: alegria, esperança, simpatia, solidariedade, simplicidade, amizade, criatividade, amor, fortaleza, bondade, liberdade, competência, gratuidade, disponibilidade, generosidade, paz… Estamos todos certamente de acordo nisto: são estas qualidades que nos dão a verdadeira beleza. De facto, elas permanecem e aperfeiçoam-se, mesmo quando aparecem as rugas no rosto e o corpo começa a deteriorar-se com o andar dos anos.

É esta a beleza que cada um de nós deseja para si.