A Assembleia Municipal em tons verdes
Sexta-feira, Junho 21, 2019

Há quem o considere um acto de masoquismo, mas para mim é uma expressão de cidadania, e sempre que me é possível vou assistir às sessões da Assembleia Municipal (AM) de Guimarães, tendo até já feito algumas intervenções na qualidade de cidadão.

Não foi o caso desta última AM (19 junho), na qual me limitei a escutar com atenção (coisa rara entre os presentes) o que os deputados municipais disseram enquanto representantes eleitos pelo povo para apreciar e fiscalizar a actividade da Câmara Municipal.

Do que lá foi dito, e que tenha alguma incidência nas questões ambientais, retirei algumas notas que agora partilho:

Rede 5G
Um deputado manifestou preocupação com a rede 5G mas limitou a sua desconfiança às questões da cibersegurança, não tendo sido feita qualquer referência às incertezas sobre os efeitos que esta tecnologia tem nos humanos e na natureza. Entre o princípio da precaução e o pioneirismo, este último foi o eleito e Guimarães é voluntariamente um “rato de laboratório” para testar o futuro. Se estão tão certos de tal valiosa e inócua tecnologia, porque não rodear o edifício de Santa Clara com esses postes de iluminação?

Eco-Freguesias XXI
Numa das muitas intervenções de auto elogio, foi lembrado que “Caldelas é a freguesia mais verde do país”. Mais um título balofo e empolado, dos tantos que Guimarães tão determinadamente ambiciona e coleciona, num desperdício de recursos escassos que a meu ver deviam ter como prioridade ações com relevância e substância ambiental. Das 3.092 freguesias de Portugal, 86 (2,8%) participaram num concurso onde Caldelas obteve a melhor classificação. Mas em vez de vencedora do galardão Eco-Freguesias XXI, Caldelas é anunciada como a freguesia mais verde do país. Haja bom senso, seriedade e respeito!

Projetos Económicos de Interesse Municipal
Mas nem tudo o que nesta AM se passou foi negativo, e devo salientar que apesar de não conhecer o documento, o novo regulamento para os Projetos Económicos de Interesse Municipal passou a integrar uma ponderação para a eco-inovação e a economia circular no cálculo dos benefícios a atribuir às empresas candidatas. Uma boa medida que importa louvar.

Uma última referência para lamentar a pressão que o Presidente da AM colocou numa cidadã que interveio no período dedicado ao público. Só houve duas intervenções do público nesta sessão, mas no entanto o tempo concedido para cada um foi o tempo mínimo (cinco minutos) previsto no regimento. Tanto tempo perdido com coisas fúteis durante a sessão, mas quando um cidadão se alonga mais dois minutos que o tempo mínimo (e não máximo) que a lei lhe concede, é alertado por duas vezes que deve terminar.

E com esta também eu termino, mas prometo que volto.
Saudações ecológicas.