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Vulgo adepto de futebol
Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

O futebol é um espectáculo que envolve os mais diversos agentes, desde directores, segurança, médicos, “apanha-bolas”, futebolistas, treinadores, jornalistas, técnicos de equipamentos, massagistas, bombeiros, porteiros… e adeptos.
Claro está, não se deve esquecer os adeptos! A essência de qualquer espectáculo é o público. Nesta vertente, até que ponto se deve avaliar o vulgo adepto de futebol? Eis uma análise interessante, sobre a qual gostaria de despender mais tempo, para retirar conclusões mais precisas, ainda que sejam sempre susceptíveis das mais diversas interpretações.
Então, o papel do vulgo adepto de futebol passa por se fazer sócio de um clube. Como sócio tem obrigações e deveres, seja qual for a instituição. Os deveres resumem-se ao apoio incondicional de uma equipa de futebol. Nas obrigações impõem-se o pagamento anual das quotas e ainda bilhetes (quando estipulado) para assistir aos jogos da sua equipa. É o trivial. Qualquer associado de um clube/instituição deve, ainda, ter uma acção activa e interveniente em qualquer decisão que diga respeito ao seu clube. Nesta vertente, o vulgo adepto de futebol está disposto a cumprir as premissas, sem necessitar de recorrer a estatutos.
Na prática, o vulgo adepto de futebol lá paga as suas quotas anuais, marca presença de forma assídua nas bancadas, quando há jogos. Por vezes, mas muito pouco, até pode deslocar-se às Assembleias Gerais para ter conhecimento do programa que o elenco directivo pretende cumprir. Mas, no fundo, o que interessa é receber alegrias, pelas vitórias conquistadas em campo e festejar os golos que entram na baliza do adversário. O pior da questão, embora faça parte do desporto, é quando as bolas entram na própria baliza. E aí levantam-se os dedos. Os jogadores são desmazelados, não têm qualidade. O treinador, esse, não tem pulso para orientar a equipa e toma sempre as decisões erradas. A culpa maior cabe ao presidente, e demais elementos da direcção, que foram os responsáveis pela contratação do treinador e jogadores. Qualquer vulgo adepto de futebol explode nas derrotas, atira as setas nos mais diversos sentidos sem definir os alvos.
Só para esclarecer: hoje em dia, qualquer jogador de futebol chega a sénior com uma determinada formação. Ganhe muito ou pouco em termos salariais, quase diariamente trabalha para melhorar o rendimento pessoal, que se reflecte no colectivo. Um treinador só está habilitado para exercer determinadas funções mediante um curso, para o qual estudou, restando-lhe a missão de colocar a teoria na prática. Qualquer equipa amadora parte para um simples treino já com os métodos bem definidos. O treinador sabe os exercícios que aplica, no seguimento de um estudo meticuloso, sempre em prol do clube que representa. E, por último, os elementos directivos, que dispensam horas a fio, sem obter qualquer lucro financeiro, simplesmente para ajudar o projecto que abraçaram a dar alguns passos (nem sempre no bom sentido), mas são eles que lá estão. São quem dá a cara. Muitas dessas pessoas, a esmagadora maioria, retira tempo à sua vida profissional e familiar. E em troca, estes elementos intervenientes no mundo do futebol recebem, quando não aparecem as vitórias, uma data de insultos, protestos, quando não acontece pior… E o vulgo adepto de futebol, resignado pela(s) derrota(s) da sua equipa, limita-se a disparar críticas e espera que para a próxima não voltem a acontecer os mesmos erros… Vale a pena ser adepto de futebol!

PS- Na última opinião fiz referência às dificuldades dos clubes de futebol, nomeadamente os amadores, em termos financeiros. Lancei alguns alertas, no sentido construtivo. Destaquei as dívidas de algumas instituições locais para com o fisco, apenas a título de exemplo. Referi um determinado montante que o GDRC Os Sandinenses, entre outros, tinha em dívida para o Fisco. Alguns responsáveis por este clube mostraram-se indignados com os dados que transcrevi, embora não tenha particularizado. “O Sandinenses não deve nada ao Fisco”, garantiram-me. Acredito. Aqui fica a rectificação.
Porém, esclareço os caros leitores que os valores expostos na minha última crónica limitaram-se a ser transcritos de um credível jornal nacional como é o “Público” e na altura ninguém corrigiu!

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