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Viver em menopausa
Terça-feira, Março 12, 2013

Com o avançar da idade da mulher, os seus ovários deixam progressivamente de funcionar (diminuindo a quantidade de hormonas em circulação – estrogénios e progesterona). Este declínio progressivo da função dos ovários marca o climatério (período de transição entre o período fértil e o período não-fértil da mulher) Durante o climatério ocorre a menopausa, que não é mais do que o termo utilizado para designar o momento da última menstruação, após a qual os ovários deixam permanentemente de funcionar. Ocorre normalmente por volta dos 50 anos de idade e o seu diagnóstico definitivo só pode ser feito após um ano sem período menstrual.

As fases do climatério e da pós-menopausa são fases naturais e muito importantes na vida de uma mulher, não devendo estas ser encaradas com medo ou como uma doença. No entanto, a diminuição progressiva das hormonas produzidas pelos ovários está associada frequentemente a alterações físicas e psíquicas na mulher, assim como a sintomas que prejudicam a sua qualidade de vida. Uma vez que as mulheres vivem cerca de 1/3 da sua vida no período pós menopausa, torna-se importante que estas saibam como lidar com esta nova fase da sua vida.

Estes sintomas não surgem todos ao mesmo tempo: mais precocemente (40-45 anos) surgem as alterações menstruais, afrontamentos/calores e alterações do humor, e mais tarde (50-55 anos) aparecem as alterações da pele, genitais e urinárias, doença cardiovascular e osteoporose.

Os sintomas iniciais que antecipam a menopausa são as irregularidades menstruais: a duração entre dois períodos menstruais começa a variar e surgem meses em que a menstruação está ausente. Após a menopausa as menstruações cessam completamente.

Cerca de 75% das mulheres na fase do climatério queixam-se de afrontamentos, que consistem num calor súbito da face, pescoço e tronco, que posteriormente se generaliza pelo corpo todo, com palpitações, seguido de suores com tremores e calafrios. Os afrontamentos duram 1 a 5 minutos, têm uma frequência que pode ir de 1 por dia até 1 por hora e podem causar grande desconforto.

Surgem também nesta fase alterações emocionais (como nervosismo, ansiedade, irritabilidade), alterações do sono (insónia, sono agitado e não reparador), até situações mais graves como depressão.

A falta de estrogénios provoca o aparecimento de sintomas vaginais (secura, comichão, ardor) e urinários (dor ao urinar, incontinência urinária, infeções urinárias frequentes). A nível sexual pode-se verificar uma diminuição do desejo sexual, menor excitação e prazer, e pode ocorrer dor durante o ato sexual.

A pele também é afetada tornando-se mais seca, menos elástica e aparecem rugas, as unhas tornam-se finas e quebradiças, e surge tendência para a queda de cabelo e aparecimento de pelos na face. Também se verifica maior frequência de zumbidos, tonturas e vertigens, e alterações na voz, podendo tornar-se mais rouca.

Com o avançar da idade, os ossos ficam mais frágeis, aumentando o risco de osteoporose. Aumenta também o risco de doenças do coração já que há tendência para aumento de peso (principalmente com acumulação de gordura no abdómen), elevação do colesterol no sangue, e aparecimento de doenças como hipertensão e diabetes.

Os sintomas da menopausa tornam, por isso, necessária uma intervenção no sentido de aliviar o seu impacto sobre o bem-estar da mulher.

A mulher pode prevenir muitos dos sintomas ou diminuir a sua intensidade, adotando estilos de vida saudáveis e alguns comportamentos práticos:
– Deve praticar exercício físico regular (pelo menos 30 minutos 3 vezes por semana) que diminui a intensidade dos afrontamentos e auxilia no controlo do peso;
– Beber bastante água, principalmente após exercícios físicos.
– Usar roupas leves e procurar ambientes frescos e ventilados.
– Evitar fatores que podem desencadear ou agravar os afrontamentos (comida e bebidas quentes, ambientes quentes, álcool, cafeína, picantes e tabaco).
– Realizar uma dieta saudável e equilibrada, rica em cálcio (laticínios e vegetais verdes), para prevenir a fragilidade óssea.
Apesar da adoção destas medidas, pode surgir um ou vários dos sintomas descritos acima com intensidade suficiente para incomodar a mulher. Neste caso, existem tratamentos que podem ser realizados, dos quais o seu médico indicará o mais indicado.

O chegar da menopausa não significa perda de qualidade de vida! Procure o seu médico.

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