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“Vivências em Rotary no feminino”, por Francisco Zamith
Quarta-feira, Março 22, 2006

«Vivências em Rotary no feminino» foi tema centralizador da última reunião do Rotary de Caldas das Taipas.

Teve como palestrante Francisco Zamith do R.C. Guimarães e como convidados especiais o past governador de 2004/2005, Diamantino Gomes e esposa, bem como a companheira Terezinha, do R.C. Senhora da Hora.
Comunicador inato, o tema desenvolvido resultou de um desafio lançado pela presidente Teresa Portal, do R.C. Caldas das Taipas, a que o companheiro correspondeu.
Ninguém se lembraria de atribuir o nascimento de Rotary a Eva, só mesmo este companheiro. Quando a companheira de Adão lhe ofereceu a maçã proibida e lhe deu a consciência de estar nu, o Senhor disse-lhe que ia comer o pão do suor do seu rosto, ou seja, foi criada a primeira profissão, já que somos um movimento de profissionais. Paul Harris mais não fez, disse, do que aproveitar a maçã que Eva deu ao Adão.
Com piada fácil e histórias a propósito de tudo, a palestra decorreu num ambiente de franco companheirismo e óptima disposição, a que não faltou o toque emotivo quando apresentou a canção «Don’t cry for me Argentina», cantada pela Madonna, dedicada a Eva Peron, uma mulher que não foi presidente, não foi chefe de partido, nem sequer alguém importante no seu país. Apenas foi a mulher do presidente. E porquê falar desta mulher? Precisamente porque durante 80 anos, Rotary cresceu graças às mulheres que foram esposas dos presidentes e dos governadores e de todos os Rotários. A mulher só não entrou mais cedo em Rotary porque o mundo não estava preparado para isso. Aliás, ainda esta semana, as mulheres obesas vão ser expulsas na televisão síria. Os costumes, as liberdades de cada povo é que põem barreiras à liberalização. Hoje, não são as mulheres nem os homens que entram em Rotary, são as e os profissionais.
E acabou com uma história que nos fala da importância de saber dar sem olhar a quem ou a quê, sem ligar a crenças, a partidos políticos, a religiões.

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Vivências Jocistas – Há 114 anos… A “Rerum Novarum”
Domingo, Maio 29, 2005

Foi nesse dia memoravel que um Papa velhinho mas dotado de uma energia inquebrantavel, Leão XIII, atirou ao mundo do trabalho aquela que seria pelas gerações seguintes, considerada a sua “Magna Carta”, o “Código” que permitiria resolver os problemas sociais que a Revolução Industrial do séc. XVIII originou.

Foi um autêntico “terramoto”, já na última década do Sec. XIX, precisamente no dia 15 de Maio de 1891, completam-se hoje 114 anos. Uma sociedade dominada por forças empenhadas na marginalização da Igreja que Cristo fundou, tudo fazia para que a sua acção se limitasse à sacristia e não passasse da esfera privada, do domínio da consciência íntima de cada um, tal qual o paleio dos nossos dias em relação ao hediondo crime do aborto em que a mãe (com o pai…) é assassina do próprio filho!
Foi nesse dia memoravel que um Papa velhinho mas dotado de uma energia inquebrantavel, Leão XIII, atirou ao mundo do trabalho aquela que seria pelas gerações seguintes, considerada a sua “Magna Carta”, o “Código” que permitiria resolver os problemas sociais que a Revolução Industrial do séc. XVIII originou.
Passados cem anos, há, portanto, quatorze, outro gigante que a História celebrará, João Paulo II, cujo pontificado tivemos o privilégio de acompanhar e viver, assinalava o acontecimento com outra memoravel encíclica, a “Centesimus Annus” onde se afirma que “o mundo de hoje está sempre mais consciente de que a solução dos graves problemas nacionais e internacionais não é apenas uma questão de produção económica ou de uma organização jurídica e social, mas requer valores ético-religiosos específicos, bem como mudanças de mentalidade, de comportamento e de estruturas. E estas operam-se no coração do homem, na consciência do homem, no mais íntimo e profundo do ser humano, lá onde o homem encontra Deus mediante o serviço da Igreja”.
E para responder àqueles (e àquelas…) que pretendem negar à Igreja o direito de se pronunciar sobre os problemas sociais, na mesma encíclica, comemorativa dos cem anos da “Rerum Novarum”, afirmava o saudoso João Paulo II: “para a Igreja, ensinar e difundir a doutrina social pertence a sua missão evangelizadora e faz parte essencial da mensagem cristã, porque essa doutrina propõe as suas consequências directas na vida da sociedade e enquadra o trabalho diário e as lutas pela justiça no testemunho de Cristo Salvador. Ela constitui, além disso, uma fonte de unidade e de paz, em face dos conflitos que inevitavelmente se levantam no sector económico-social. Torna-se possivel desse modo viver as novas situações sem envilecer a dignidade transcendente da pessoa humana, nem em si próprio nem nos adversários e encaminhá-las para uma recta solução”. (Centesimus Annus)
E nem se diga que a Rerum Novarum surgiu a reboque do Manifesto que Marx publicou pouco mais de 4 décadas antes. Terminantemente, não! Pois o interesse e solicitude da Igreja de Cristo pela sorte dos mais desfavorecidos é uma constante desde os tempos apostólicos que os Actos dos Apóstolos testemunham.
Nessa autêntica história do primitivo Sacro Colégio a quem Cristo confiou a propagação da sua doutrina, encontramos registada a preocupação pelos problemas sociais do povo de Deus. Vejamos as Epístolas do 1º Papa, Pedro e do apóstolo Paulo cujo roteiro, em significativa parte, tive já a felicidade de percorrer, desde Roma ao areópago de Atenas e a Corinto, na Grécia, mãe da nossa civilização, a Éfeso, na Ásia Menor.
Logo nos primeiros séculos da Igreja, Santo Ambrósio, S. João Crisóstomo, S. Clemente de Alexandria, Santo Agostinho, através dos seus estudos doutrinários falavam dos problemas sociais do tempo à luz meridiana dos Evangelhos. Toda a vida humana desde o ventre materno, infância, juventude, matrimónio, família, educação, trabalho, é vista à luz da doutrina eclesial através do direito e da jurisprudência. Desde sempre, a Igreja prégou como verdade eterna a vida do homem no seu todo, desde a origem ao seu destino.
Em pleno séc. XIII é S. Tomaz de Aquino e com ele uma pleiade de gigantes do pensamento a debruçarem-se sobre os problemas do trabalho. E nos séculos subsequentes, nunca a Igreja, através dos Papas e dos seus doutrinadores deixou de estar atenta aos problemas dos mais desfavorecidos.
No séc. XVI, entre outros, é Francisco Suarez, ligado a Braga, pelo menos pelo seu baptismo, e o grande jesuita S. Roberto Belarmino que produziram abundante doutrina sobre o direito e a justiça e o modus vivendi entre a Igreja e o Estado, sobre a regularização da ordem entre as nações. Todos os itens que a Economia prevê: mercado, preço justo, juros, troca de valores monetários e todas as regras deontológicas que devem regular as relações entre o capital e o trabalho, são assuntos que preocupam esses homens do saber ligados à Igreja. Razão tinha o saudoso introdutor do Jocismo em Portugal, Dr. Manuel Rocha, ao afirmar na sua tese de doutoramento em Ciências Sociais e Políticas na gloriosa Universidade de Lovaina: a “Encíclica Rerum Novarum não representa uma inovação, mas regresso ao passado”. Foi, isso sim, um acontecimento histórico porque, pela primeira vez, apareceu como sistematização da Doutrina Social da Igreja.
O assalto aos Estados Pontifícios em 1870, não permitiu que o Concílio Vaticano I concretizasse um documento sobre a Questão Social como tinha em projecto.
Desde a “Rerum Novarum”, Papas extraordinários, sobretudo em datas comemorativas do seu aparecimento, não deixaram de a desenvolver e adaptar a um mundo em constante mutação. Já em nosso tempo, é o Papa da Acção Católica, Pio XI que, em 1931, fez publicar a “Quadragesimo Anno” que, como o seu nome indica, comemorava os 40 anos da grande encíclica.
Passados 10 anos, é o inolvidavel Papa da nossa juventude, Pio XII, cujo perfil respirava santidade, que em 1941, com a Europa, Norte de África e todo o Oriente a ferro e fôgo, em mensagem radiofónica, lembrou ao mundo as grandes traves mestras da encíclica leonina que perfazia nesse ano, seu cinquentenário, aproveitando para aconselhar os povos em luta o entendimento e a reconciliação. Anos mais tarde, precisamente no Natal de 1944, já o fim da guerra se adivinhava (embora a Paz, como um político avisado previu, não esteja hoje, passados 60 anos, consolidada…) nova comunicação radiofónica do grande Pontífice, esclarecia a cristandade e os outros povos sobre o conceito de democracia tão diferente entre a civilização ocidental e a barbárie das bandas de leste. Os factos se encarregaram de provar que a razão estava do lado de Pio XII.
Os papas que se lhe seguiram, nomeadamente João XXIII e Paulo VI, assinalaram os seus pontificados com encíclicas memoraveis no domínio do Social: “Mater et Magistra” e “Pacem in Terris” do primeiro, “Gaudiam et Spes”, Carta Apostólica por ocasião do octogesimo aniversário da “Rerum Novarum”, “Octogesima Adveniens” e “Populorum Progressio” do segundo, são documentos inolvidaveis que marcaram os nossos tempos e as nossas vidas.
E contra todas as expectativas, surgiu, vindo do leste da Europa, da martirizada Polónia, aquele que se havia de afirmar como um dos chefes da Igreja mais marcantes nos dois milénios da Era de Cristo. João Paulo II, tão ligado a Portugal através de Fátima; tão ligado aos jovens que o idolatravam, logo no início do seu glorioso pontificado, fez publicar a sua 1ª encíclica “Redemptor Hominis”, sobre a obra redentora de Cristo e ao mesmo tempo, sobre a pessoa humana, não deixando de apontar que para além das vantagens inegaveis do progresso, os perigos que o mesmo pode acarretar.
As suas encíclicas de cariz social, “Laborem Exercens”, “Solicitudo Rei Socialis” e “Centesimus Annus”, a primeira nos 90 anos e a última no centenário da “Rerum Novarum”, permitiram ao grande e saudoso Pontífice comparar a trajectória da humanidade em cem anos de História, praticamente todo o século XX.
Desde 1891, em que Leão XIII denunciou a “miséria imerecida” que oprimia as vítimas do liberalismo económico do chamado “século das luzes” e que, de forma profética, adivinhou o colapso do socialismo soviético que no extremo leste da Europa se implantou anos após a sua morte e que, através da luta de classes semeou tanto ódio, tanta desgraça e tanta miséria. Ao seu sucessor, João Paulo II, se deve em grande parte o desmoronar dessa obra maquiavélica que martirizou sucessivas gerações.
Que Deus ilumine, dê força física e anímica ao seu sucessor S. S. Bento XVI a quem auguramos um grande Pontificado.

JOSÉ RIBEIRO
(Intervenção em Fão, em 15 de Maio, perante a “Velha Guarda Jócista” no seu XXVIII encontro anual)

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