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Verdade Desportiva
Sexta-feira, Fevereiro 15, 2008

Muitas e muitas vezes há quem apregoe à “verdade desportiva”, termo esse que reflecte a justiça no desporto, muito em abundância no futebol. “Verdade” essa, algumas vezes, “falsificada”, por esta ou aquela razão. Quase sempre direccionada para os erros dos árbitros. Mas nem sempre são os árbitros a tornear aquilo que deveria ser a verdade pura do desporto. É certo que a decisão de um “penalty” — sem razão para tal — a dar em golo, pode muito bem ter um peso relevante no prevalecer daquilo que é conhecido por “ verdade desportiva”, ou, até mesmo, como acontece, um sem número de erros sucessivos pela parte da equipa de arbitragem a favor de uma determinada em equipa no decurso de um jogo.

Mas a “verdade desportiva” começa a ser colocada em causa por aqueles que, muitas vezes, estão vinculados aos próprios clubes. O sucesso de um colectividade/clube deve ser apreciada não só pelos resultados, como pela capacidade de gestão de quem tem poderes para tal. Não custa nada ter sucesso quando se tem um jogador como Cristiano Ronaldo ou Messi numa equipa. É claro! Mas, claro está, também deve existir arcaboiço para suportar as despesas inerentes aos custos dos grandes craques. (Não me atrevo a falar do poder económico do Manchester U. ou Barcelona). Mas, nós por cá, muitas vezes usamos e abusamos nesta vertente. Quantos são os exemplos dos clubes portugueses que abusam de promessas (jamais) cumpridas, simplesmente com a sede dos resultados desportivos.

Torna-se imperial tomar medidas drásticas para com aqueles que pensam que todos os meios justificam o fim. Como, por exemplo, ver o clube X a coleccionar vitórias, resultados desportivos, mas afundado em dívidas. Não custa nada alcançar sucesso num clube, vangloriar com o estatuto de primeiro lugar numa determinada prova quando se tem um jogador X e outro Y de qualidade inquestionável, mas não lhe pagam o devido valor. É como ter um lençol para cobrir a cabeça e deixar os pés descobertos. Bem estão aqueles que têm uma manta que cobre o corpo todo.

A Associação de Futebol de Braga divulgou recentemente uma lista de mais de três dezenas de clubes que tinham dívidas, somente, para com aquela instituição. E, ao abrigo do art.º 22 do regulamento disciplinar, ameaçou a suspensão da actividade dos clubes “devedores”. Assim está bem, pois o que se verificava é que os clubes mais modestos — nos resultados desportivos — tinham as contas em dia, enquanto os “grandes” e reais “candidatos” faziam parte dessa lista negra. É aqui que começa a verdade desportiva. Há que partir todos em pé de igualdade.

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