Vamos deixar que o Centro de Saúde fique mais pobre?
Domingo, Fevereiro 8, 2004

Nos últimos dias, o Pais foi sobressaltado com algumas broncas cometidas por diversos ministérios, as quais puseram a nú procedimentos que o Governo reserva para si e não reconhece ao comum dos cidadãos.

Demorar um ano a esclarecer a situação de trabalhadores e durante esse ano proceder a descontos nos salários e não os entregar a ninguém, nem à segurança social nem à caixa de aposentações dos servidores do Estado, é acto de legalidade duvidosa, que para alguns fiscalistas configura um crime de abuso de confiança, por apropriação de dinheiro de outrem, mas será sempre um péssimo exemplo vindo de cima, exactamente de onde se espera que venham os exemplos positivos. Com que moral vai o Ministério da Segurança Social do Governo PSD/PP exigir aos contribuintes faltosos ou relapsos que cumpram pontual e regularmente o seu dever de entregar os descontos dos seus trabalhadores, quando o Ministério da Justiça desse mesmo Governo não respeitou esse mesmo dever?

O Governo definiu como prioridade das prioridades o equilíbrio das contas públicas, respeitando o pacto de estabilidade e convergência (PEC), imposto por Bruxelas aos paises que estão na moeda comum. As consequências sociais e económicas dessa obsessão estão à vista e cada português sente-as no bolso: mais desemprego, empresas a encerrar portas, impostos retidos muito para além do tempo razoável, como no caso do IVA, congelamento dos salários dos funcionários públicos pelo segundo ano consecutivo, redução do investimento público a zero e cortes brutais nas despesas de funcionamento.

Vem isto a propósito de uma decisão governamental que vai atingir a vida de muitos taipenses e de muitos outros cidadãos abrangidos pelo serviço prestado pelo Centro de Saúde das Taipas. O Governo prepara-se para transferir para Urgeses, em Guimarães, o serviço de vistorias e emissão de atestados médicos que até agora era possível obter aqui.

Não sei o volume de documentos em causa, se grande se pequeno. Sei é que a centralização em Urgeses vai implicar deslocações, transtornos, despesa. O Governo pode poupar alguns euros, mas o utente vai ter uma despesa extra, o que, em tempo de perda de poder de compra por erosão dos salários e das pensões de reforma, não é questão desprezível.

Acresce que tudo isto é concebido e executado ao arrepio das autoridades administrativas das Taipas, a quem nem sequer foi dada uma explicação para uma decisão que afecta negativamente a vida da Vila e das muitas freguesias servidas pelo Centro de Saúde.