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Under_Score em entrevista
Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Mais uma manifestação da vitalidade que se vive nas Taipas em termos musicais: os Under_Score lançaram recentemente uma primeira amostra do seu som, gravado em estúdio durante o Verão. A curta entrevista partiu da intenção de conhecer melhor a banda e o seu trabalho, acabando por discorrer sobre como aproveitar o potencial instalado nas Taipas.

O que é que vocês procuram na música e o que é que esta vos traz em troca?
Tiago:
Isto acaba por ser um bocado um escape à rotina diária. Esforço-me ao máximo para que isto dê em alguma coisa, para que consigamos sair ao máximo da sala de ensaios, enfim, ir mais longe. Não é preciso ser reconhecido mundialmente… [risos]
Manú: Sempre gostei de estar na música. Comecei como baterista noutra banda que entretanto acabou. Nessa altura decidi começar com uma cena nova, formando esta banda com a Mácia.

Márcia, vens de Pevidém, trazes alguma bagagem musical?
Márcia:
Sim tive algumas experiências anteriores, todas muito curtas, uma delas aqui nas Taipas. A certa altura o Manú ligou-me e cá estou eu.

Acabam de lançar um CD em nome próprio. Como correu esse processo?
Tiago:
O que nos levou a gravar o CD foi a entrada da Márcia. A nossa primeira maquete tinha quatro músicas que ainda eram cantadas pela vocalista anterior. Sentimos necessidade de ter algo mais actualizado. O próprio estilo ou sonoridade mudou um bocado com a mudança de vocalista. Ficamos com um som mais agressivo. Fomos para estúdio, onde estivemos quase dois meses. O resultado foi apresentado no dia 1 de Outubro no Bar do Rui. Penso que correu tudo bem.
Manú: Sentimos a necessidade de ter algo que nos identificasse quando nos apresentávamos em algum sítio, por exemplo, para tocar.

Empenharam-se bastante na gravação do CD, recorrendo a um estúdio com boas condições…
Manú:
Recorremos a um estúdio profissional porque queríamos fazer algo bem feito, pelo menos com condições que não tivéramos nas gravações anteriores. O produto final penso que bom. Já tínhamos trabalhado com aquelas pessoas anteriormente e portanto, já sabíamos o que poderíamos conseguir.

Que influência teve o estúdio nas vossas músicas?
Manú:
Da primeira vez fomos apenas com a ideia de gravar alguma coisa. Desta vez houve toda uma preparação prévia. Tivemos que reestruturar as músicas, havia músicas que não tinham boa dinâmica …
Tiago: Estivemos meio ano a preparamo-nos para trabalhar no estúdio. Ensaiamos as músicas propositadamente para trabalhar no estúdio. Mesmo para não gastarmos muito tempo para não ficasse muito cara gravação. O estúdio não transformou as nossas músicas. Tivemos a sorte de ter connosco no estúdio o Leandro e o Ricky, que nos deram uma grande ajuda. Eles andam nisto há muito mais tempo e por isso iam-nos aconselhando em termos de arranjos. Experimentamos várias coisas em estúdio, mas não aproveitamos tudo.

Como vocês próprios assumem, as vossas músicas transmitem uma certa agressividade, principalmente ao nível da vocalização. De que falam as vossas músicas?
Márcia: É um bocado o que surge em determinada altura. Tenho uma forma espontânea de escrever as letras. Por vezes, é mesmo enquanto eles estão a tocar.

Existem bastantes bandas em actividade nas Taipas. Mesmo em termos históricos é perceptível uma actividade própria, em termos de bandas. Na vossa opinião, fará sentido falar num movimento próprio?
Tiago:
Penso que faz sentido. Mas há realmente uma visibilidade das bandas das Taipas que devia assumir. Seria bom, por exemplo, em termos de ajudas ou de locais próprios para as bandas tocarem e apresentarem o seu trabalho. Tirando o Bar do Rui, que se vai prestando a estas coisas. Mesmo este não é um local próprio para concertos. Poderia haver um local que cultivasse um bocado o café-concerto.

Essa dinâmica poderia ser aproveitada de alguma forma?
Manú:
Temos falado com outras bandas no sentido de organizar algumas coisas em conjunto, por exemplo, organizar tertúlias onde se falasse sobre música de uma forma geral.

Uma actividade que se vai repetindo é o Rock in Taipas que, embora com resultados diferentes em diversas edições. Qual é a vossa opinião em relação a esse evento?
Manú:
Penso que é um evento espectacular que surgiu nas Taipas e que deve continuar. Passou por um período de menor qualidade talvez por falta de envolvimento das bandas das Taipas. Eu penso o Rock in Taipas como um palco privilegiado para as bandas poderem tocar. Este ano acho que foi um bom Rock in Taipas, mas penso que é difícil organizar uma coisa tão grande. Talvez fazer uma coisa mais pequena para divulgação das bandas das Taipas.

Pegando no debate sobre a língua inglesa na música portuguesa: vocês optaram por cantar em inglês, têm uma música cantada em português, mas genericamente cantam em inglês: que motivos apontam para essa opção?
Tiago:
É com um bocado indiferente a língua em que as músicas são cantadas. Isso fica um bocado ao critério da vocalista que é quem escreve as letras. Se ela entender escrever em italiano, é-me indiferente…
Manú: Eu gosto da forma como soam as palavras em inglês, da mesma forma que o português do Brasil soa de uma forma completamente diferente e, no entanto, é português. A nossa música em português, que se chama 31, foi pensada para ser cantada em português.

Depois do lançamento do disco, quais são os vossos projectos mais imediatos?
Manú: Temos pensado em regravar as nossas primeiras músicas, que estão gravadas na primeira maquete, mas que estão cantadas pela anterior vocalista. São músicas de que gostamos e que gostávamos de aproveitar. Todas essas músicas juntas dariam um longa-duração. Vamos tentar fazer isso lá por Janeiro. Agora temos que procurar dar concertos: concursos, recepções académicas, queima das fitas…

Os Under_score são

> Tiago: baixo
> Filipe: bateria
> Márcia: voz
> Manú: guitarra

Re_Born (2005)
1. Just Alive
2. Crazy Love
3. Not An Angel
4. Tonight
5. 3rinta e 1m
6. Stay Away

Próximos concertos
> 4 e 5 de Novembro de 2005 na Azenha do Zameiro – Vila do Conde
> 11 de Novembro de 2005 no Fashion em Braga

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