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Um exercício de cidadania – Praticar desporto toda a vida
Segunda-feira, Novembro 10, 2014

Quando apareceu a obrigatoriedade de usar cinto de segurança, a pergunta que surgia com frequência era: qual a razão se o cinto só protege quem o coloca?
A resposta aparecia: os mortos, os aleijados, os incapacitados por acidente de viação, são um fardo, um encargo para a restante sociedade. Necessário se torna proteger a sociedade dos desmandos do individuo.

É uma visão do estado, da sociedade que levada ao extremo pode ser perigosa e legitimar que o estado invada a nossa individualidade e deixe uma margem pequena para a liberdade entendida como autodeterminação.

Nos tempos que correm existe e existiu a tentação de criar uma base de dados com histórico pessoal da saúde e da doença do individuo para, supõe-se, saber o custo daquele cidadão para a sociedade. Não sei, no futuro, o que aconteceria a um doente crónico com necessidade de tratamentos e intervenções frequentes: se lhe cortavam os tratamentos ou o punham a pagar, ou, simplesmente, lhe negariam assistência.
Essa ideia maquiavélica surge por causa dos elevadíssimos gastos em saúde que a sociedade moderna suporta, principalmente os estados com serviço nacional de saúde desenvolvido, como é o nosso.

Uma coisa é certa, a vida em sociedade tem que assentar na responsabilidade individual mantida em prol do colectivo; e na concorrência das liberdades individuais, deverá prevalecer aquela que melhor beneficiar o colectivo

E aqui surge a pergunta já muito badalada e que serve de azimute a muitas intervenções: o que poderei eu, isoladamente, fazer pelo meu país em matéria de saúde para que contribuamos para um serviço de saúde “gratuito” sustentável e duradouro.

A resposta está na prática do desporto, desde pequenino até velhinho.

E é no desporto veterano que estamos mais atrasados em relação aos parceiros europeus onde a prática desportiva, em qualquer modalidade, tem mais praticantes veteranos do que seniores, sendo certo que são o atletismo e a marcha as modalidades mais praticadas.

O desporto produz e mantém um corpo são em mente sã.
Um cidadão que o quer ser por inteiro não se pode demitir desta dimensão comunitária de tentar manter o corpo e a mente sã.

A actividade desportiva saudável contribuirá, seguramente, para a eliminação de um qualquer imposto cujo impacto só se irá reflectir daqui por muitos anos no orçamento de estado dos nossos filhos.

Pensemos neles.

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