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Um dia isto vai mudar
Quarta-feira, Janeiro 5, 2011

De alguns anos a esta parte que a política em Portugal – e de um modo geral nas chamadas democracias ocidentais – se faz mais com reportagens na comunicação social, reportagens e declarações bombásticas repetidas até à exaustão, do que com obras reais. É a estratégia da percepção aplicada à política: cria-se nas pessoas a ideia que se resolve um assunto, uma necessidade, uma aspiração, ao transmitir mensagens que causam impacto em quem as recebe, quando na verdade e em rigor tudo não passa de um hábil e moderno conto do vigário.

Nas Taipas também assim se passa.

Na campanha eleitoral de 2009 para a Junta, tanto PSD como PS gastaram metros de papel, quilos de discursos, fingiram-se indignados uns com os outros, apresentaram “provas, estudos, autorizações superiores, contratos, licenças” com a intenção de dar veracidade às promessas sobre lares para a terceira idade. Um ia para a Revenda e a prová-lo nasceu da noite para o dia um outdoor conveniente assinalando aos passantes, aos incrédulos e sobretudo aos fieis qual o sítio certo onde seria erguido o equipamento social prometido em tempo record.

Para não ficar atrás, para não perder a corrida, o PSD/Junta correu a decorar a fachada da velha Pensão Vilas, colocando deliberada e calculadamente alguns idosos nas janelas desenhadas que alegremente miravam os transeuntes a quem mostravam a felicidade de viverem no centro prometido.

Da campanha eleitoral de 2009 já só restam alguns panfletos e cartazes. Do prometido Lar da Revenda nem os ferros que suportavam o outodor resistiram, retirados e reservados para suportar um dia destes novas promessas para enganar. Os velhinhos risonhos e simpáticos que nos espreitavam à janela da Pensão Vilas recolheram aos seus aposentos, repousando algures à espera de serem repescados para figurantes da próxima campanha.

O Povo das Taipas ficou com a percepção de que ia ter dois lares para a terceira idade, ou no mínimo um. Não tem nenhum.

Quem o iludiu sabia o que fazia. Quando se aproximaram novas eleições, vão ressuscitar promessas nunca cumpridas e ensaiar novas maneiras de enganar. Tem sido assim nas Taipas e em Portugal, mas um dia vai mudar.