Um carpinteiro taipense sepultado no concelho de Arcos de Valdevez (1712)
Quinta-feira, Abril 28, 2016

Ao desenvolvermos a nossa pesquisa no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta (Guimarães), nos últimos vinte anos, com vista ao estudo da História de Arte vimaranense nos séculos XVI a XVIII, compulsámos documentação que julgamos de interesse para a história das Caldas das Taipas. Aproveita-se esta ocasião para trazer à luz manuscritos paroquiais, nos quais encontrámos como principal interveniente, um carpinteiro natural das Caldas das Taipas. Consultando os livros de óbito relativos à freguesia de São Tomé de Caldelas, que se encontram no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, deparamo-nos com um carpinteiro natural de Caldas das Taipas, que morreu a 2 de maio de 1712, na freguesia de São Cipriano de Senharei, concelho de Arcos de Valdevez. Trata-se de Gonçalo Lopes, solteiro, filho de Jerónima Gonçalves, viúva, moradora no lugar das Caldas, da freguesia de São Tomé de Caldelas. Este carpinteiro taipense, que conseguimos extrair do anonimato, faleceu há 304 anos na freguesia de Senharei, termo dos Arcos de Valdevez, então comarca de Valença, sendo sepultado na igreja da referida freguesia.

Neste assento de óbito redigido pelo Padre Gabriel de Matos, pároco de Caldelas, sabemos que este carpinteiro, na altura da sua morte “andava travalhando pello seu oficio de carpinteiro” na freguesia de Senharei. Jerónima Gonçalves apresentou ao pároco de São Tomé de Caldelas, uma carta redigida pelo cunho do Reverendo António Lopes de Almeida, abade da igreja de Senharei. Nesta missiva era explicitado, de que o defunto tinha feito testamento de palavra, no qual deixava a sua mãe por herdeira. Neste testamento verbal, Gonçalo Lopes rogava à sua mãe, de que esta mandasse despender na Igreja Paroquial de Caldelas (atual “Igreja Velha”) por sua alma dezassete mil reis de sufrágios de missas “e que deles se pagariam todos os uzos, e costumes desta igreja e ofertas e reza annual”. Na realidade, cumprindo as últimas disposições testamentárias do seu filho, Jerónima Gonçalves mandou celebrar duas missas, respetivamente com dez e nove padres. Ao longo do tempo, Jerónima Gonçalves mandou realizar mais ofícios, que foram devidamente assinalados pelo padre desta freguesia, à margem do assento de óbito.

Através do assento de batismo, temos mais pormenores sobre a biografia deste carpinteiro. Filho legítimo de Domingos Lopes e de Jerónima Gonçalves moradores no lugar das Caldas, de São Tomé de Caldelas, foi batizado a 30 de janeiro de 1684, na igreja paroquial da referida freguesia, pelo cura Manuel da Cunha Gusmão. Foi seu padrinho Gonçalo, solteiro, filho de António Álvares e de Guiomar Gonçalves moradores na Taipa de Cima; e madrinha Antónia, solteira, filha de Francisco Jorge e de Maria Gonçalves moradores no lugar do Canto. Através deste documento, inferimos que Gonçalo Lopes terá falecido em Senharei com 27 anos.

Estes dois registos paroquiais constituem uma importante fonte documental, não apenas para o aprofundamento do estudo deste carpinteiro, tanto em termos pessoais, como profissionais, mas também para podermos retirar alguns elementos para o estudo da migração da população taipense nos inícios do século XVIII.

Historiador