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Um balanço possível de dois anos de mandato de Constantino Veiga
Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

A eleição nas últimas autárquicas de Constantino Veiga, mais que uma nova cor política para a Junta de Freguesia, trouxe um novo estilo, claramente distinto do anterior, protagonizado por Carlos Remísio de Castro.

Constantino Veiga imprimiu um tom populista à sua gestão, aproximando o poder político da população. Assumiu um discurso que o alinhou como partidário de uma segmentação da vila das Taipas em relação à cidade de Guimarães. Com isso colheu a simpatia de uma franja da população, onde se inclui seguramente aquela que defende que Caldelas deverá fazer parte de um outro concelho.

O presidente da Junta de Freguesia de Caldelas é uma personalidade forte, que tem dificuldade em ouvir opiniões divergentes da sua. Como se costuma dizer “ferve em pouca água”. As suas intervenções são sempre inflamadas e apaixonadas, nem sempre escolhendo as melhores palavras para se exprimir. Daí que resultem algumas guerras que foi comprando, não só e imediatamente com a oposição, mas também com a Câmara Municipal de Guimarães e com outras entidades locais.

Nestes dois primeiros anos de mandato, Constantino Veiga fez o que cabe a uma Junta de Freguesia fazer. Fez pequenos arranjos onde eram necessários. Consertou passeios, renovou o coreto. Fez a gestão da feira. Comprou um tractor. Organizou a festas de S. Pedro. Na globalidade mostrou ser um executivo que está atento aos pequenos problemas da vila.

No entanto, o actual presidente da Junta de Freguesia assumiu, na campanha eleitoral e continua a fazê-lo agora, que tem um projecto para as Taipas. Esse projecto vai para além do âmbito de actuação de uma Junta de Freguesia. É sem dúvida importante que um presidente de junta saiba o que quer para a freguesia, mas é importante que saiba também até que ponto o consegue fazer sozinho. Ou seja, seria prudente investir numa aproximação, diplomática que fosse, à Câmara Municipal de Guimarães. Constantino Veiga fez exactamente o contrário, entrou em rota de colisão com a Câmara Municipal de Guimarães e o seu presidente António Magalhães, sem que, até agora, se perceba o que é que Caldelas ganhou com isso.

É positivo que Constantino Veiga tenha projectos a apresentar para as Taipas e que os torne públicos. Não se ouviu falar em tantos projectos pensados para as Taipas como agora. No entanto, por mais vistosos que possam ser esses projectos, não implica que sejam bons projectos. Pessoalmente, discordo de algumas opções que estão a ser consideradas, nomeadamente para a concentração escolar e para a construção da chamada Casa das Artes, no local onde se quer fazer. Mas estas são outras contas.

Do lado da oposição, há uma grande inquietude por não se verem resultados das obras prometidas por Constantino Veiga. Perguntam pelo Lar de Idosos, pela Casa das Artes. Por um lado, têm alguma razão, já que aquelas obras faziam efectivamente parte do programa eleitoral do PSD. Contudo, o PS deveria saber que este tipo de investimentos não são exequíveis num mandato de quatro anos. Recorde-se que algumas obras que ficaram dos mandatos socialistas, como o recinto da feira ou a variante, apenas ficaram concluídas no último mandato, depois de sucessivamente terem feito parte dos seus propósitos ao longo dos vários mandatos. Por outro lado, o PSD foi imprudente ao basear toda uma campanha em projectos para encher o olho, mesmo sabendo que nunca os iriam conseguir executar num mandato.

Em suma, embora com algumas agitações a que não estávamos habituados, Caldelas está basicamente como estava há dois anos. O que não é necessariamente mau, já que podia estar pior. No entanto, sente-se alguma angústia por se ter a noção de que as mudanças, daqui a dois anos, não serão significativas. Muito porque foram dados passos em falso, que poderão comprometer o desenvolvimento da freguesia, em muito dependente de projectos que fazem falta à vila e que dificilmente serão conseguidos só com a vontade da Junta de Freguesia.

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