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Uma terra estiolada
Segunda-feira, Dezembro 7, 2015

Quem chegue às Taipas por estes dias não será colhido de surpresa – a vila não se desenvolve. Digo não se desenvolve e não digo não cresce, porque desenvolver é diferente de crescer.

O centro está adormecido. A Câmara de Guimarães promete, os estudos e projectos são ainda promessas a que volta e meia regressamos, porque foram vistos uns senhores com ares de técnicos que fotografam, medem e registam imagens e tomadas de vista que, estamos em crer, são peças, mais umas peças, exigidas pelos arquitectos e paisagistas a quem a maioria socialista entregou o fabrico de uma obra que, pelo tempo de gestação que já acumula, vai ser uma obra de arte.

Depois há os acessos, as vias, as entradas e as saídas da vila. Tudo como dantes, quartel em Abrantes.

No plano das actividades sociais e culturais, houve um aceno via excentricidade, o plano camarário para levar a cultura, as artes, o lazer às freguesias, sendo Taipas uma das cinco comtempladas. Porém, enquanto noutras freguesias o programa está a ser cumprido, nas Taipas nada, zero.

Há, pelo verão, a programação da Taipas Termal, tirando partido das instalações dos banhos velhos, mas depois, no resto do ano, quando o clima exige salas de maior conforto, Taipas hiberna enquanto São Torcato, Moreira de Cónegos, Ronfe e Briteiros avançam para alegria das respectivas populações.

Durante a preparação do plano de actividades e orçamento para o ano de 2015, a CDU questionou o investimento da freguesia para a área social e para a área cultural, criticando o que considerou ser duas lacunas indesculpáveis. O plano para 2016 já não é nem tão vago nem tão omisso como o de 2015, mas ainda está longe de corresponder ao que pode e deve ser o papel da Junta de Freguesia nestas matérias.

É que se a Câmara Municipal de Guimarães peca por centralizar muito, cabendo neste muito o apoio social e a cultura, sendo que em relação a esta desenvolveu uma tentaiva de descentralização louvável, cabe à Junta de Freguesia dar a volta por cima e oferecer aos seus representados alternativas que contrariem os silêncios e omissões da Câmara, em vez de passar o tempo a lamentar-se, num processo de vitimização que já só tem adeptos entre fieis e nem em todos.

É claro que a Junta de Freguesia não pode fazer omeletes sem ovos, porque não é vegetariana. Terá dificuldades financeiras e tem de fazer opções.

Mas governar uma freguesia é fazer opções e as escolhas do PSD/Junta de Freguesia de Caldelas estão constrangidas por um erro fatal – os compromissos com o negócio manhoso da Pensão Vilas.

Eleito da CDU na Assembleia de Freguesia de Caldelas