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Uma questão de escolha…
Terça-feira, Novembro 15, 2005

Sim, porque António Magalhães sabe bem o que quer dizer e quando quer dizer, não me venham com a história de um deslize, de uma frase dita sem ponderação.
Será que Magalhães explicou a José Luís Oliveira, candidato do PS à Assembleia de Freguesia de Caldelas, o porquê desta frase, antes de o escolher como futuro presidente da Taipas Turitermas em representação da Câmara Municipal de Guimarães? Confirmei que não e, portanto, isto mais parece uma tentativa de silenciar o desconforto e indignação que aquela frase, na noite do dia 9 de Outubro, poderá ter provocado.
Para António Magalhães será porventura mais fácil explicar a nomeação de José Luís Oliveira para a Taipas Turitermas, junto da oposição e da opinião pública do que explicar a José Luís Oliveira e restante equipa em que circunstância ele foi efectivamente uma segunda escolha.
Ao proferir aquela frase, tentou passar o ónus para o lado do PSD, tentando desviar a atenção do falhanço que foi a tentativa de “contratar” Constantino Veiga quando o PS de Guimarães enviou alguns emissários, gente bem posicionada nas Taipas, (não fazendo Remísio Castro parte desta comitiva) na tentativa de o convencer a enveredar pelas cores do PS, quando este já estava comprometido pelo PSD.
Esta frase constitui, no mínimo, uma falta de respeito por todos aqueles que deram a cara pelo PS nas Autárquicas das Taipas, principalmente o cabeça de lista. Relembro que José Luís Oliveira afirmou o seguinte no debate: “Não sei se fui uma segunda escolha. Aquilo que me foi dito, quando me formularam o convite, foi que eu era a primeira escolha. Quanto ao resto terá de ser perguntado aos responsáveis do PS das Taipas” .
Ora a resposta não veio do PS das Taipas, mas de quem tem a última palavra, conforme em Março de 2001 António Magalhães afirmou em entrevista ao Reflexo: “não tenham dúvidas, caso me recandidate terei a última palavra na elaboração da lista da Câmara, na da Assembleia e na escolha dos cabeças de lista às Juntas de freguesia” . E a resposta foi que o PSD veio roubar o candidato do PS para as Taipas.
Mas vamos supor que a resposta até vinha do PS das Taipas. Então, quando Remísio Castro sonda Constantino Veiga naquela noite das eleições legislativas, ainda que não formalmente, e este terá dito qualquer coisa como: “estou sempre disponível para as Taipas” , tendo sido comunicado ao PS de Guimarães esta meia disponibilidade, qual era, então, a sua primeira escolha?
Não. Claro, era José Luís Oliveira. Conforme nas Autárquicas de 97, era uma aposta na juventude, para depois em 2001 nem sequer os integrar na lista e, finalmente, em 2005 convidar a primeira escolha a três/quatro meses das eleições. Não há ninguém no PS que diga a esta gente que não somos estúpidos?
Em suma, é obvio que o PS achou que Constantino seria um problema em eleições e, em última instância, tentou neutralizá-lo porque, apesar de ser uma pessoa muito imprevisível e poder constituir um problema para o aparelho partidário, mais valia tê-lo do que perder a junta.
Ainda uma palavra a José Luís Oliveira, quando eu dizia em Setembro: “A dúvida reside em saber se José Luís Oliveira será autónomo ou se, pelo contrário, irá ficar refém do aparelho, leia-se Remísio Castro – António Magalhães – Avelino Marques, que, na minha opinião, são os mentores da sua candidatura pelo PS nestas eleições”. Pois bem, perdeu uma grande oportunidade em ser independente ao não aceitar este presente envenenado (Taipas Turitermas).
Ainda falta saber se haverá mais nomeações para cargos ou departamentos em cooperativas ou empresas onde a Câmara detém controlo…

jcunha@reflexodigital.com

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