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Uma proclamação, uma promessa e uma nota
Quarta-feira, Abril 6, 2016

Na génese da democracia representativa está, por maioria de razão, a lógica da representação por parte dos eleitos daqueles que os elegem. O mandato consiste numa delegação da nossa voz naqueles que escolhemos como nossos representantes, para que funcione há que acreditar que as causas que eles irão defender são as que nós defendemos, que os interesses que os motivam são os que nos motivam e que a voz deles será sempre em nome da nossa.

A escolha democrática é também assim uma prestação de contas dos eleitos para com os eleitores, nesta base de relação de confiança que deve existir.

Num Congresso de líder em fim de linha, tivermos por Aguiar Branco o anúncio de que será candidato à presidência da Assembleia Municipal de Guimarães, declaração que é o contrário de tudo isto.

E é o contrário de tudo isto por uma razão tão simples quanto evidente: Aguiar Branco não é de Guimarães. Não nasceu cá, nunca cá viveu e não lhe conheço qualquer “ligação” ao concelho que justifique uma decisão desta natureza.

Ao fazê-lo Aguiar Branco e o PSD cederam àquilo que cada vez mais afasta os cidadãos da política, colocando os interesses partidários – sim, porque na verdade aquilo que motiva esta candidatura são um conjunto de dinâmicas internas mais ou menos evidentes – acima dos interesses da população.

É possível? Sim. É legítimo? Talvez. É desejável? Parece-me que não, porque a sua defesa nunca será a nossa, as suas causas não são as nossas e por isso a sua voz nunca poderá ser a nossa, e é aqui que a confiança se quebra.

Não sou de bairrismos bacocos mas parece-me óbvio que Aguiar Branco não serve para nos representar porque não é um de nós.

Tivemos em março um momento importantíssimo para o nosso futuro com a apresentação do projeto de intervenção para o centro de Caldas das Taipas. Representa desde logo que “palavra dada é palavra honrada”, com o cumprimento da principal promessa eleitoral do Partido Socialista para a vila, mas representa sobretudo o abrir de uma janela de oportunidade para todos os taipenses.

A requalificação do centro deve-se configurar como um momento definidor para a construção do nosso futuro, e essa construção começa já com a discussão, com os contributos e com a envolvência que todos devemos imprimir a este objetivo.

Espera-se que a Vila das Taipas viva à altura da sua história e do seu potencial, chegou a hora.

Uma última nota acerca do Orçamento do Estado oriundo do governo ilegítimo, suportado em forças radicais, que não passaria na europa e que seria chumbado na AR, que faria com que as agências de rating nos dinamitassem nas suas avaliações provocando dilúvios, terramotos e outras manifestações da fúria divina: foi promulgado pelo Sr. Presidente da República a 28 de março.

A alternativa e a esperança sempre existiu apenas alguns nos queriam convencer que não.