Uma capela que tem S. José das Taipas como padroeiro
Sábado, Novembro 26, 2005

Esta semana as curiosidades à volta da palavra Taipas falam de uma Capela dedicada a S. José das Taipas.

A igreja de S. José das Taipas, situada no início da Rua do Dr. Barbosa de Castro, começou a ser construída em 1795, mas só ficou acabada em 1878. Esta lentidão ficou a dever-se, sem dúvida, à falta de recursos da irmandade, mas deve ter sido provocado também pelos escaldantes acontecimentos políticos e sociais que marcaram o século XIX desde o início.

Não admira, por isso, que o projecto do engenheiro Carlos da Cruz Amarante tenha sido substancialmente alterado, ao longo dos 83 anos que demorou a construção da igreja. As alterações mais significativas registaram-se no retábulo da capela-mor e na sacristia.

A irmandade que administra esta igreja resultou da fusão, em 1780, de duas outras anteriores: a de S. Nicolau Tolentino das Almas (instituída em 1634, na igreja de S. João Novo) e a de S. José das Taipas.

A nova confraria, designada Irmandade das Almas de S. José das Taipas, reunia-se, primitivamente, na capela privativa da confraria de S. José das Taipas, fundada em 1666 pela família dos Pachecos ao cimo da Rua do Calvário (hoje do Dr. Barbosa de Castro).

Com o desenvolvimento do culto das almas, cedo se impôs a necessidade de se construir um novo templo. Tanto mais que a Irmandade das Almas conquistou enorme simpatia por parte da população, a ponto de em 1810, os moradores na Ribeira deliberarem confiar-lhe o encargo do sufrágio dos mortos no desastre da Ponte de Barcas (29 de Março de 1809) e a recolha das esmolas para esses sufrágios.

Por essa razão, a irmandade passou a realizar todos os anos, nessa data, uma procissão da capela até à Ribeira, evocando as almas dos que morreram no rio, um acto religioso que se manteve até 1909 e que só terminou com o advento da República.

Na igreja das Taipas conserva-se ainda a tela original evocativa dessa tragédia provocado pelas invasões francesas, que esteve inicialmente na Ribeira, antes de ser substituída, em 1897, pelo painel de bronze de Teixeira Lopes (pai) que agora figura no muro da Ribeira.

“Relacionado com este desastre da Ponte de Barcas, registou-se um lamentável episódio que envolveu a Irmandade das Taipas e uma outra semelhante, erecta na Capela das Almas, da Rua de Santa Catarina. Quando a população da Ribeira entregou à das Taipas o encargo daqueles sufrágios, a de Santa Catarina não gostou que a outra ficasse com o exclusivo da gestão das esmolas das «Alminhas da Ponte» (que constituíam já um avultado capital), reivindicando também esse direito.

O conflito estalou e a contenda arrastou-se durante alguns anos, com grande escândalo público, a ponto de Firmino Pereira a ele se referir nos seguintes termos: «A irmandade (de Santa Catarina), que era teimosa, disputou à sua congénere das Taipas a administração do cofre das “”Almas””, travando-se entre as duas corporações um litígio formidável em que, cada uma, no seu interesse, se defendeu com os melhores argumentos que pôde inventar ou deduzir dos textos canónicos aplicáveis ao caso. A questão era, como se vê, reles, porque assentava numa base de ganância. ”

“A igreja das Taipas é um templo elegante, de estilo italiano-clássico, com uma frontaria de grande simplicidade. Na fachada, destaca-se a porta, superiormente adornada, e, no seu enfiamento, um grande janelão com frontão circular; no remate, um frontão com tímpano com um óculo e grinalda. A torre, de forma quadrada e um pouco recuada, situa-se do lado direito e abre com uma porta e, por cima, uma janela gradeada; no primeiro andar, uma outra janela e, mais acima, quatro janelas sineiras, rematando-a uma cúpula em pirâmide, encimada por uma cruz de ferro; esta parte superior da torre é revestido por azulejos. ”

Interiormente, a igreja é de uma só nave, coberta por abóbada de berço, com estuques muito simples, ao longo da qual corre um varandim com grade de ferro. Além do altar-mor, tem quatro altares laterais, dedicados a Nossa Senhora das Dores, da Saúde, da Conceição e a Santo António.

Na capela-mor, também abobadada em berço e com estuques, destaca-se o retábulo neoclássico do século XIX e as imagens de S. José e de S. Nicolau Tolentino. Merecem também algum destaque o famoso presépio desta igreja e uma tela antiga, da escola alemã, representando Nossa Senhora da Divina Providência.

Fonte:
Porto XXI
https://www.portoxxi.com

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