Uma Europa a 25
Quarta-feira, Maio 12, 2004

No próximo dia 1 de Maio de 2004, como já sabem, deixamos de ser uma Europa a 15 países e passamos a ser uma Europa a 25 países. É indiscutível que a adesão dos 10 países à União Europeia terá um enorme significado para a criação da nova dimensão e para o funcionamento do mercado único.

No entanto e não sendo pessimista, partilho com os leitores, uma análise pessoal desse alargamento, nomeadamente no que me parecem que irão ser algumas ameaças e oportunidades e o seu impacto na economia nacional e local.

Ameaças:
Aumento da concorrência e consequente perda de competitividade das empresas, já que vão concorrer com países que possuem uma mão-de-obra qualificada e barata e que não pagam taxas sociais como as empresas (ou algumas) em Portugal,
Deslocação temporária das multinacionais para Leste (esperemos que a Alemanha não deixe que tal aconteça e/ou continue) o que agravará a periferia geográfica de Portugal e o baixo nível de formação profissional, colocando a descoberto a vulnerabilidade da indústria portuguesa (trabalho intensivo);
Aumento da população de 377 milhões para cerca de 500 milhões;
Redução da atribuição de fundos,
….

Oportunidades:
Aproveitamento do aumento e da total abertura de novos mercados, o que criará oportunidade de negócios;
Aprofundamento e estreitamento das relações económicas entre os parceiros comunitários;
Um crescimento sustentado da economia de Portugal
Relançamento do peso político dos pequenos.
….

Como tudo na vida, o tempo permitirá tirar conclusões. Aguardemos, então, com serenidade, acreditando que estes receios para uns, benefícios para outros, serão, de certeza, combatidos e ultrapassados com a larga experiência profissional que os empresários portugueses possuem.

Pê éSse final:

A propósito: No último Congresso dos Municípios Portugueses, foi ventilada a questão, muitas vezes levantada, do despesismo das Autarquias, tendo-se verificado, por dados estatísticos referentes ao ano de 2002, que às Autarquias apenas foi atribuído 12% do Orçamento Geral do Estado e que, com essa fatia minúscula, as mesmas responsáveis por mais de 50% do investimento público. Com esta engenharia financeira, parece-me que a acusação deveria tornar-se em louvor!