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Transporte público: um sinal de coesão territorial
Terça-feira, Fevereiro 2, 2016

Serviço público. Palavra tão cara a todos os partidos, com especial acolhimento pelos socialistas, que enchem a boca com tal palavrão. O problema é ter os meios e a prática desdizer tudo.

A vila de Caldas das Taipas é-o há 75 anos. No dizer dos responsáveis da Câmara é o pólo urbano mais importante do concelho. Só por isso deveria estar abrangida pelos transportes urbanos de Guimarães – vulgo TUG.

Coincidentemente com a baixa, lenta, do preço dos combustíveis, o trânsito, com exclusão dos transportes públicos, tem aumentado de intensidade. As filas, em cada vez mais partes do dia, são frequentes. As filas de trânsito são sinal inequívoco de uma utilização cada vez maior do automóvel próprio.

Uma política de ambiente sustentável, como se quer com a candidatura de Guimarães a Capital Verde; uma política de coesão territorial; uma política social voltada para os mais desfavorecidos, impõe uma rede de transportes públicos, que abranja todo o concelho ou, pelo menos, as zonas mais urbanizadas do concelho. Os transportes públicos de Guimarães não chegarem às Taipas e à zona norte do concelho, é facto que não se pode continuar aceitar.

No tempo em que a zona era coberta pelas carreiras da Rodoviária Nacional; Esteves & Andreia; João Carlos Soares; Ferreira das Neves; Amândio & Oliveira, o problema não se punha: havia efectiva concorrência. Depois do desaparecimento daquelas empresas concorrentes, ficando uma nova Arriva, é imperioso que a Câmara preencha essa lacuna.

A administração do estado deve estar no serviço público onde falhem os particulares. E no trajecto Taipas-Guimarães o serviço de transportes para o público em geral é deficiente, em termos de horários e percursos, e é caro. Estou convencido que é pelas razões aduzidas que o recurso ao transporte privado não tem regredido e tem até aumentado com a baixa do preço dos combustíveis. Uma viagem de ida e volta a Guimarães custa €4,20 por pessoa. Para duas pessoas fica por €8,40.

Um automóvel normal, com duas pessoas a bordo, gasta em combustível €2,00, na mesma viagem – está justificada a opção e o trânsito. A diferença chega muito bem para a amortização e conservação da viatura.

Mas este tipo de procedimento, natural e de reação, não pode ser alimentado por um município que vira as costas, neste âmbito, a uma grande parte dos seus munícipes. Em transportes públicos, acessíveis e disponíveis, as Taipas não são parte de Guimarães. Perde o concelho em todas as suas dimensões: social, económica, coesão territorial e ambiente. Curioso é que o PS, que domina a Câmara a seu bel-prazer nos últimos 30 anos, ainda não tenha resolvido este problema. Não tem desculpa.

Tesoureiro da Junta de Freguesia de Caldelas