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Teoria do caos
Sábado, Novembro 5, 2016

Começa a ser difícil classificar todo o processo da Pensão Vilas. Quando pensamos que mais nada pode correr mal, acontece alguma coisa vem confirmar a teoria do caos: se é possível correr mal, então vai correr mal.

Recuemos ao mês de setembro, quando a Junta de Freguesia convocava uma Assembleia de Freguesia com a proposta de venda da Pensão Vilas à ADIT, (que entretanto é retirada por sugestão da CDU) e em que eu escrevia a esse propósito “avizinho uma nova embrulhada nesta história já com tantos capítulos”.

Gostava de não ter tido razão, mas tive. De facto tivemos mais uma embrulhada, e que grande embrulhada. Ficamos a saber em outubro que o direito de superfície da Pensão Vilas foi hipotecado duas vezes no mês de setembro. Repito para que não restem dúvidas: a Pensão Vilas está hipotecada! Ficamos também a saber que o valor em dívida relativa à Pensão ascende a € 550.000,00.

Não vou tecer considerações sobre uma proposta que, além de alienar património da Junta, o propõe fazer a uma Associação que consegue a proeza de ter uma dívida superior a meio milhão de euros sem apresentar qualquer sinal de obra. Mas terei necessariamente que fazer referência à tremenda má-fé e de sentido ético de uma Junta de Freguesia que, num processo de alienação de património público, esconde uma informação absolutamente vital para o negócio.

Esconder que sobre o direito de superfície da Pensão Vilas foram constituídas duas hipotecas é uma falta de respeito tremenda para com os deputados eleitos pelos taipenses e um truque de gente que não é séria.

Se provas faltassem esta é a prova cabal de que vender a Pensão Vilas à ADIT é um erro. A ADIT está completamente endividada, sem capacidade de fazer face aos seus compromissos e de levar a bom porto a construção do lar de idosos. Vender a Pensão Vilas à ADIT é entregar património público aos seus credores. No meio de tanto caos, de tanta trapalhada, pelo menos se salvaguarde o interesse dos taipenses, e que se garanta que o património se mantém na Junta das Taipas.

Há certos tiques que custam a sair, há coisas que nos habituamos a dizer e a fazer que demoram a ir embora, é assim em todas as coisas e com todas as pessoas. Coisa diferente é assumir que não queremos perder esses tiques, que apesar de deixarmos de ser ainda queremos continuar a ser, que estamos presos às coisas e aos lugares.

Constantino Veiga diz isso com todas as letras. Questionado pelo Reflexo sobre a impossibilidade de concorrer a um quarto mandato (por limitação legal) responde sem pudores que está agarrado ao poder afirmando que vai ao quarto mandato e que integrará a lista do PSD em segundo lugar. É uma perspetiva curiosa. Curiosa porque demonstra uma visão sobre o exercício de funções públicas anacrónica individualista, de obsessão pelo poder e pelo controlo. E sobretudo uma visão perigosa para qualquer um que o pretenda suceder a Constantino Veiga como candidato do PSD.

Constantino Veiga diz muito claramente ao que vai, e qualquer um que aceitar concorrer nestas condições saberá que não passará de um “testa de ferro”, de um “pau mandado” sob o controlo do dono. É indigno. Não aceitando esse papel inglório, rejeitando que Constantino vá na lista, corre o risco de não ser o candidato escolhido pelo PSD ou de ter Constantino Veiga contra si.

Temos a possibilidade de nas próximas eleições autárquicas termos por parte do PSD a adaptação de um brilhante sketch de Herman José com duas figuras a bradar alto “eu é que sou o candidato a presidente da junta!”

Deputado municipal eleito pelo Partido Socialista