Tempo para uma nova geração nas Taipas
Quinta-feira, Setembro 8, 2005

Caldelas assiste no presente a um período importante. Um período que é certamente de mudança e que afectará o seu futuro em função da capacidade de inovação dos agentes que agora entram ou que assumem uma nova posição em cena.

Divida-se a exposição em dois capítulos: o primeiro diz respeito a uma renovação de gerações em algumas estruturas da freguesia, o segundo, respeita às candidaturas para as autárquicas de Outubro.

No primeiro capítulo, dois aspectos parecem ser sintomáticos dessa mudança: um primeiro começou por ser o encontro do novo líder do clube de futebol local e depois, uma surpreendente escolha para cabeça de lista do partido político que tradicionalmente vence as eleições em Caldelas há vários anos. Duas apostas em gente nova, duma geração diferente – a mesma geração a que chamaram de rasca mas que agora cresceu e vai assumindo o lugar que progressivamente terá que ser seu. É, assim, um período de viragem.

No entanto, os períodos de viragem caracterizam-se quase sempre por alguma crise. Longos períodos de estabilidade podem criar pessoas experientes, mas tendem a criar vícios. Como se sabe, a eliminação de vícios quase nunca é coisa fácil.

O aparecimento de Amâncio Mendes, foi uma escolha difícil e resultado de um processo difícil que tocou a extinção do próprio clube. Registaram-se já várias acusações de aproveitamento político face a proximidade do período eleitoral. O novo presidente desmentiu e reafirmou a sua vontade de trabalhar.

O segundo caso, o aparecimento de José Luís Oliveira, é também um importante indicador de mudança para a freguesia que, independentemente do futuro resultado das eleições é muito agradável.

Não acredito que, quer num caso quer noutro, o avanço destes dois será um salto sem rede. Com certeza que muito do que se passará no futuro próximo estará dependente de estruturas não tão visíveis. Poderá ser como que um período de passagem de testemunho. Agora, as novas personagens terão uma oportunidade para demonstrar que vale a pena apostar periodicamente numa renovação.

Da mesma forma que crescimento não significa desenvolvimento, a quantidade não significa qualidade. É importante que os novos exemplos de renovação sejam poucos mas bons e que contribuam decisivamente para o desenvolvimento da freguesia.

Deixando de lado esta renovação de gerações, o domínio das candidaturas das autárquicas apresenta também algumas novidades ou sintomas de mudança.

Importa sublinhar três aspectos. Em primeiro lugar, a não candidatura daquele ganhava sempre – Remísio Castro. Numa eleição em que as caras contam mais que as ideologias, deixa de ser claro como se irá dividir o eleitorado. O segundo aspecto é a escolha para substituir o candidato que ganhava sempre. O que é, só por si, um grande risco e uma responsabilidade para quem agora toma o lugar – Será que o partido irá conseguir os mesmos resultados das eleições anteriores? Um terceiro aspecto é a formalização da candidatura do grupo formado por quem deu a cara durante muitos anos pela causa da criação do concelho das Taipas. É o primeiro partido do qual se conhece, logo à partida, o principal ponto do seu programa. E talvez seja importante distinguir dois debates: um é o debate político tradicional e o outro é aquele que alimenta a criação ou não do concelho das Taipas. Por exemplo, deste último grupo, podem fazer parte eleitores de vários partidos políticos tradicionais. Resta saber, perante isto, como é que o eleitorado irá perceber isto e como se irá organizar na hora do voto.

O próximo ano trará respostas, confirmações ou decepções. É tudo uma questão de tempo. O mesmo tempo que obriga a que as gerações se renovem. Tudo o que podemos e devemos fazer é consumir o melhor possível o tempo que nos é destinado.