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Temas sensíveis dividem europeus
Terça-feira, Dezembro 19, 2006

O Eurobarómetro mediu as opiniões dos diversos estados-membros sobre alguns temas delicados da sociedade europeia. Religião e homossexualidade dividem europeus, enquanto que um tratado constitucional vai reunindo uma concordância cada vez mais alargada – mesmo na Holanda.

Questões sensíveis como o uso de drogas, os direitos dos homossexuais e a religião foram alguns dos temas estudados pelo Eurobarómetro no seu último relatório publicado este mês.

Em conclusão, o Eurobarómetro vem colocar sérias dúvidas sobre um quadro de valores europeu. Por exemplo, no que respeita à aceitação da homossexualidade, particularmente os temas dos casamentos homossexuais e a adopção de crianças por casais homossexuais. Sobre estes temas Portugal está no grupo dos países mais resistentes: 29% dos inquiridos aceitaria o casamento entre homossexuais e 19% a adopção de crianças por casais gays. No topo desta tabela está a Holanda com 82% e 69% de respostas afirmativas, respectivamente.

O tema da liberalização do consumo de drogas leves mostra igualmente alguma discordância. Mais uma vez a Holanda assume-se como pais mais liberal: 49% respondeu afirmativamente, seguindo se a Espanha com 40%. A Holanda tem já legalizado o consumo de cannabis em lugares específicos. Em Portugal, este resultado foi de 27%, ainda acima de linha da média europeia.

Em relação à religião, verifica-se uma divisão da opinião pública sobre o papel da religião na sociedade. Chipre (81%), Malta (70%) e Itália (63%) lideram a lista de países que consideram importante o papel da religião na sociedade. Em Portugal este resultado foi de 50%, quatro pontos percentuais acima da média europeia.

Uma das questões do inquérito efectuado diz respeito à concordância sobre um texto Constitucional para a UE. Em Portugal, 60% das respostas foram afirmativas, acima da média dos resultados totais para todos os países da união (53%). Uma das surpreendentes revelações é mesmo o resultado obtido na Holanda, onde 59% dos inquiridos mostrou-se a favor da Constituição Europeia, contrariando o referendo realizado naquele país e que contribuiu para atirar este processo para a gaveta.

Texto: Paulo Dumas

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