PUB
Taipense integra comitiva e dá-nos as suas impressões sobre o mercado
Terça-feira, Janeiro 30, 2007

O primeiro-ministro José Sócrates chega esta terça-feira à China com uma delegação de 70 empresários que irão passar por Pequim, Xangai e Macau. Entre esses empresários está um taipense, Pedro Vieira, que tem uma empresa de consultoria em negócio internacional, com escritório em Pequim.
Antes da partida, o Reflexo colocou-lhe algumas perguntas, para perceber melhor o que se passa neste país, sobre o qual hoje tanto se fala.

A primeira coisa que nos vem à cabeça quando se fala da China são as lojas dos chineses e os restaurantes de arroz chau-chau. Mas não pode ser só isso que faz com que o mundo esteja todo de olhos postos na China, pois não?
Claro que não. A China é hoje o centro das atenções porque é um grande país, tem um quinto da população mundial e taxas de crescimento da ordem dos 10%. Ou seja: é uma questão de uma ou duas décadas para que se transforme na primeira economia mundial.

Devemos estar preocupados com isso? Significa que as empresas portuguesas estão condenadas?
Não. Não estão condenadas. Obviamente que muitas já fecharam e outras fecharão, por sentirem a concorrência chinesa, que, de facto pode oferecer preços muito baixos. Mas muitas outras empresas sobreviverão e, mais importante, vão tirar partido de um mercado com 1300 milhhões de consumidores.

Como é que o farão?
Procurando oportunidades, indo ao mercado, descobrindo nichos de mercado para os seus produtos. Estima-se hoje que 10% da população chinesa tenha um poder de compra dentro da média europeia. Já pensaram o que isso representa? 130 milhões de pessoas!

E é fácil entrar no mercado?
Não é fácil porque existem muitos obstáculos, como a língua, a cultura, a distância… mas não é impossível. Além disso, já ajudámos algumas empresas portuguesas a abrirem lojas próprias na China, o que é a prova de que é possível.

De que sectores?
Dos têxteis-las e do vestuário, por exemplo.

E as empresas do concelho (e as das Taipas, em particular) terão oportunidades.
Eu estou convencido que sim. O concelho de Guimarães é muito forte nos têxteis, no calçado e, claro, nas cutelarias. Mas eu nem poria a coisa a nível de sectores. Para mim, qualquer empresa que tenha bons produtos, boa imagem e experiência e presença noutros mercados internacionais pode entrar no mercado chinês. E o concelho tem, de facto, empresas com marcas próprias, conceituadas a nível internacional.

Mas imagino que isso exija um investimento elevado…
Não necessariamente. Mais importante do que capital para investir é ter agilidade e, sobretudo, motivação para abordar o mercado de forma sustentada. Indo várias vezes à China, acompanhando os importadores e os distribuidores, dando-lhes apoio ao nível da promoção, cumprindo prazos…

Há que ser optimista, portanto.
Claro que sim.

E este tipo de visitas oficiais tem resultados?
Não terá resultados imediatos. Mas sensibiliza as empresas para a importância do mercado, abre algumas portas, resolve algumas questões políticas (espera-se, por exemplo que sejam assinados acordos que reduzam as barreiras à entrada de produtos portugueses).

Artigos Relacionados