PUB
Taipas não é uma vila qualquer
Quinta-feira, Julho 2, 2015

Escrevo estas linhas após a comemoração solene do 75.º Aniversário da elevação de Caldas das Taipas a vila. Pelo que este texto se centra nesta efeméride, que não é uma efeméride qualquer.

Como se sentiu na sessão solene – através de todas as intervenções – Taipas não é uma vila qualquer. As Taipas assumem-se como centralidade natural de um conjunto de freguesias em seu torno, afirmam-se com características idiossincráticas muito próprias e, como da expressão resulta, diferenciadoras face a outras povoações do nosso concelho, sendo que a sua equidistância de duas das maiores cidades do Norte de Portugal exigem uma atenção política especial, que tenha em conta todas estas circunstâncias.

Tudo isto se sentiu das intervenções dos diferentes representantes dos partidos com assento na Assembleia de Freguesia, com alusões constantes a fatores históricos diferenciadores e justificativos destas especiais características desta importante vila vimaranense. Mas a verdade é que mais do que a apologia aos fatores ou argumentos históricos, importa à população das Taipas uma visão para o seu futuro, um caminho que possa permitir a afirmação que reclamam.

Socorro-me para isso da excelente intervenção de Manuel Ribeiro, na sessão solene do 75.º aniversário, em representação da Junta de Freguesia. Que refletiu em torno do pouco que importa o estatuto de vila, se dele não resultarem diferenças efetivas face às demais povoações. Que partilhou como as atribuições dos antigos “forais” conferiam às povoações que os obtinham efetivas diferenças administrativas, enquanto que o atual estatuto de vila pouca ou nada implica em termos de atribuição de competências para os seus órgãos autárquicos. Que terminou reclamando a necessidade de um “foral moderno” para a vila das Taipas. Penso que esta é a reflexão indicada para o momento em que a vila das Taipas celebra 75 anos.

Porque se é verdade que as Taipas têm características próprias que conduzem à sua vontade de afirmação, é igualmente verdade que é um sinal de pouca inteligência procurar limitar, condicionar ou de alguma forma inibir essa vontade legítima de afirmação e desenvolvimento. E, sejamos francos, é isso que o poder socialista de Guimarães tem feito nas últimas décadas. Procurando “castigar” o atrevimento das Taipas. O que não se compreende. Porque não é certamente ostracizando a população das Taipas que se consegue a sua simpatia, que se incrementa o seu vimaranensismo, que se promove o seu sentimento de pertença deste nosso concelho de Guimarães. Por esta prática pouco inteligente e em certa medida até um tanto provocatória, respondem todos os que têm exercido o poder em Guimarães nas últimas décadas.

Pela minha parte só posso dizer que não a subscrevo, como nunca subscreveria. Por ação ou omissão. Por isso não é admissível que os líderes políticos concelhios de hoje procurem fazer-nos crer que nada têm que ver com as práticas tomadas no passado. Até porque não é nada abonatória a postura de quem procurar associar-se ao positivo e demarcar-se do negativo.

Por isso concluo citando a intervenção de Manuel Ribeiro, que relativamente a este tema disse: “… a vila tem reivindicado a sua singularidade e, como tal, será necessário conceder um foral, um foral moderno à vila de Caldas das Taipas. É necessário que se cumpra a lei e se celebrem os acordos de execução no mais amplo espectro que a lei permite. A vila tem estrutura que solidificará mediante a transferência de meios técnicos e financeiros para gerir, em proximidade, aspetos essenciais da qualidade de vida dos taipenses”.