Taipas Romana
Quinta-feira, Junho 18, 2015

Embora seja tradicionalmente conhecida como uma vila termal, carácter que ainda mantém em parte, Caldas das Taipas é também conhecida, ou pelo menos referida, pelo seu passado romano. Vários indícios, ainda que sejam informações orais, notas escritas de outros tempos, ou simplesmente tradições, e alguns mitos, apontam para essa origem ancestral, que definem as Taipas como um dos aglomerados mais antigos, que ainda se mantêm, de toda a região Norte.

De facto, as informações que conhecemos sobre o aglomerado urbano que floresceu no local da atual vila das Caldas das Taipas não se limitam a referências parcelares, existindo dados concretos que nos permitem ter uma ideia dessa povoação, da qual desconhecemos o nome. É o caso da “Ara de Trajano”, dos vestígios das termas junto dos Banhos Velhos, da próxima “ponte de Campelos”…

Não deixa de ser irónico como, apesar do desenvolvimento da Arqueologia científica nas últimas décadas, por entre os meios académicos portugueses, grande parte das informações que conhecemos sobre a época romana das Taipas não provenham de intervenções atuais, ou relativamente recentes, mas de informações anteriores, referências dos séculos XIX e XX, sobretudo. Irónico mas recorrente. É assim em muitas vilas e cidades por este país fora, pois que se os métodos científicos e a consciencialização cívica para o Património Arqueológico se têm vindo a consolidar, desde a década de 1970, foi também sensivelmente a partir da mesma altura que se verificou um boom no crescimento urbano dos aglomerados populacionais. Hoje, como no decorrer dos últimos quarenta anos, e apesar da legislação, destrói-se mais património, e de forma mais “definitiva”, do que no século XIX, ou na primeira metade do século XX. De forma intencional, ou simplesmente acidental.

A vila das Taipas assistiu a um considerável crescimento nas últimas décadas. Algum desconhecimento de causa, aliado a uma cobertura legal de proteção pouco expressiva (apenas existem, no aglomerado urbano, duas zonas de proteção, uma em torno da “Ara de Trajano”, outra próxima da moderna ponte sobre o Rio Ave) conduziu a uma grande indefinição, em termos científicos, acerca do povoamento romano deste local. Sítio que se supõe, com base nas poucas informações disponíveis, ter sido um vicus (e logo veremos o que vem a ser isto), na classificação da hierarquia dos povoados na época romana.

Se muito terá sido destruído, sem qualquer registo, muito haverá por descobrir nas Taipas, que é, não tenhamos dúvidas, um espaço sensível do ponto de vista arqueológico, logo, riquíssimo e interessantíssimo. Sobre ele iremos falar nas nossas próximas publicações.