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Sonhos perdidos
Quinta-feira, Junho 1, 2006

Nesta altura do campeonato a tentação é enorme em abordar temas relacionados com a Selecção de Portugal, Sub-21, Scolari, Quaresma e por aí fora. Mas vou tentar superar esta tentação, porque já muito foi badalado, e pouco mais há para dizer.

Prefiro, portanto, fazer uso deste espaço para deixar um alerta aos jovens praticantes de futebol, que proliferam nesta região, a fim de os despontar para a realidade… nua e crua!

Quantos e quantos jovens, muitos deles munidos de qualidade, mantém sonhos acesos em cumprir carreira no futebol. Tentam seguir os exemplos dos “craques” que, com alguma sorte, vingam neste mundo competitivo. Mas os verdadeiros “craques”, verdade seja dita, são muitos poucos. Olhem para o Figo, Cristiano Ronaldo, Rui Costa, Quaresma, Moutinhos, etc… E quantos exemplos existem, embora esses sejam pouco anunciados, de jovens que se “arrastam”, literalmente, por uma série de clubes de segunda dimensão sem nunca triunfarem na alta competição. Na associação a este trilho, naturalmente, está implícito a vertente financeira. Os jovens, hoje em dia, correm pela fama… e pelo dinheiro. Mas fiquem a saber que os clubes estão, cada vez mais, a apertar os cordões à bolsa. E, como tal, por conhecimento de causa, posso aferir que qualquer atleta que se vincule a um clube de futebol a competir entre a II Divisão Nacional ou III Divisão Nacional já para não falar nos distritais poderá ganhar qualquer coisa como 400 euros (numa média geral). E, tal como já referi, são mais aqueles que se espetam neste meio, do que aqueles que trilham o caminho do sucesso. E não se culpem por causa da falta de aplicação, qualidade, ou empenho. A verdade é que o funil está muito apertado.

Posto isto, caros atletas olhem para os exemplos que abundam no nosso país, identifiquem-se com as referências reais e não olhem, apenas, para casos reduzidíssimos como os dos “craques” que chegaram ao topo.

E este alerta, sobretudo, deverá encaixar nos pais dos mais jovens. Muitas vezes são eles os mais culpados! E assim abundam por aí muitos sonhos perdidos.

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