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Somos profetas a pregar no deserto
Terça-feira, Fevereiro 5, 2013

A crise é que está a dar. Quer nos viremos para a direita quer para a esquerda, invariavelmente, vamos lá parar… e temos de fazer isto e mais aquilo… e pagar mais este juro e aquele e mais esta dívida e aquela, feita por alguém que não dá a cara ou que a dá com a maior das latas (pois está muito bem calçado e nunca responderá em sede de justiça pelos desmandos que fez) e depois a Troika é que manda. Os cortes no ordenado, nos subsídios, a fantochada desta devolução do 13º em duodécimos que fica todo no IRS, o aumento da carga horária dos professores e despedimento de outros que trabalham há mais de vinte anos, o desespero dos novos que não conseguem arranjar emprego e que estão a emigrar, a dificuldade em lidar com alunos que não aceitam regras nem se interessam pela escola (que pensam que nada lhes trará) … tornam a missão do professor cada vez mais difícil.

E, apesar disso, cá estamos. Continuamos a bater-nos por um ensino de qualidade que esteja ao alcance de todos e que consiga moldar os homens e as mulheres de amanhã para fazerem face às dificuldades que os esperam e aprendam a ir à luta, a serem perseverantes, a não desistirem por dá cá aquela palha. Mais do que conhecimentos (embora os últimos diplomas e os exames os sobrevalorizem) queremos possibilitar aos alunos a aquisição de competências e de ferramentas que lhes permitam singrar na vida.

Somos profetas a pregar no deserto. Queremos que nos ouçam e, se tivermos sorte, somos ouvidos pelos pais e encarregados de educação e talvez pela comunidade onde estamos inseridos. Porém, quantas vezes nem mesmo esses nos ouvem, ocupados em repetirem os boatos e rumores difundidos por uma imprensa que deixou de estar ao serviço da informação objetiva, fundamentada e verdadeira para correr atrás do dinheiro e do poder sem hesitar recorrer ao sensacionalismo e à mentira.

Nestes dias angustiantes, em que não sabemos o que vai ocorrer logo à tarde, e muito menos amanhã, em que a insegurança se tornou a nossa companheira indesejada, é difícil encontrar motivação para continuarmos, para prosseguirmos. Mas, não é isso mesmo que distingue os bons dos maus profissionais – a perseverança, o cumprimento do dever, o empreendedorismo, a esperança?

Assim, pese embora todo este ambiente “infernal” que nos metralha dia a dia, cá estamos. Teimosamente, batemos o pé e gritamos bem alto: PRESENTE!

E que venha a Troika tentar demover-nos dos nossos objetivos.