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Solidão? Não, obrigada!
Sexta-feira, Janeiro 16, 2015

Numa época em que tanto se fala em igualdade, fraternidade e solidariedade, os ideais republicanos da Revolução Francesa bebidos na democracia (demos ou “povo” e Kratos ou “poder”- século V a.C.) da antiquíssima Grécia e que, ao disseminarem-se, acabaram com grande parte das monarquias (incluindo a nossa), há um conceito que, por incómodo, é olvidado, propositadamente por uns, egoisticamente por outros- a solidão.
É nas festas de família como o Natal ou a Páscoa que ela se torna insuportável. Solidão não é estar “sozinho” em casa ou noutro lugar qualquer, pois podemos estar sozinhos na multidão, um oceano de gente que apenas sentimos através dos sentidos, passo o pleonasmo e a aliteração- visão, olfacto, audição e tato. E mesmo o gosto se impõe se estivermos num café, esplanada, confeitaria ou restaurante.

Não sei qual será pior – o isolamento social facultativo ou obrigatório ou o imperativo psicológico. Sozinhos estão os doentes, desde os depressivos aos patológicos, os presos e os excluídos por um motivo ou por outro, os desfavorecidos da fortuna, os alienados por xenofobia, sem esquecer os fanatismos religiosos, as guerras…

O Natal é uma altura especial em que os sentimentos são explorados, consumidos de forma oca, apenas verbalizada, ou melhor dizendo, SMSrizada ou emailizada em todos os contactos da memória do cartão ou do telemóvel ou do correio eletrónico… Enviam-se votos de Boas Festas, de Bom Natal, de Bom Ano como quem diz “Bom-dia! Como está?”, sem verdadeiramente se esperar resposta. Um mero pró-forma. A sociedade assim manda e nós dizemos “amén” sem nos preocuparmos em refletirmos no que fazemos.

O Natal devia ser o ano inteiro. As recolhas de alimentos, de vestuário, de dinheiro, as “causas” deviam funcionar sempre e todos deveríamos ser-lhes sensíveis. E, se a desconfiança leva alguns à não contribuição para determinado fim, então, podendo, deveriam procurar um outro, quem sabe liderá-lo mesmo, sabendo o que fazer e a quem destinar, silenciando as desculpas esfarrapadas.

Eu acredito em causas e, por isso, não lhes sou surda e não me preocupa que nelas possam existir alguns miseráveis que encham os bolsos. Esses são os pobres sem consciência que acabarão por pagar a fatura de uma forma ou de outra. Em todo o cabaz de fruta há uma ou mais peças podres. Em tantos biliões de seres humanos é natural que haja uns largos milhares que não prestam, que só vivem para nos infernizar a vida, que se comprazem com o mal, que adoram manipular pessoas, que subvertem ideias, que mentem descaradamente, que se fazem passar pelo que não são e, com a maior das latas, desempenham magistralmente o papel de vítimas. Coitados! Merecem o nosso desprezo e a nossa piedade, pois são uns infelizes. E, nesta quadra, devemos desejar as Boas Festas possíveis a essa gentinha. Esses estão, indubitavelmente, sozinhos, prisioneiros da sua ruindade, pois acredito na bondade intrínseca do ser humano.

Aos tais acima mencionados, que estão ou se sentem sós, fica a lembrança e um abraço fraterno e solidário.

Espero que 2015 nos devolva a esperança e a fé no futuro com dias melhores para todos tanto pessoal como profissionalmente.