Sobre o potencial turístico do Norte do concelho
Quinta-feira, Outubro 22, 2015

Um novo desafio profissional levou-me, nos últimos meses, a percorrer o concelho de lés-a-lés. Encontrei algumas surpresas e relembrei-me de espaços por onde já tinha andado na infância, por exemplo, e aos quais nunca (ou raramente) havia voltado. Contudo, o que maior impressão me causou nesta jornada foi o potencial desaproveitado em termos turísticos que encontrei, algo que assume especial dimensão quando olhamos para a zona Norte do concelho.

Há três premissas que, de tantas vezes repetidas, acabam por se tornar banais, mas que me parece valer a pena repetir. Primeiro, o centro histórico de Guimarães, especialmente desde a classificação como Património Cultural da Unesco, tem um poder de atracção que faz dele um apetecido produto turístico e é a grande mais-valia que o concelho tem para oferecer. Depois, como já escrevi noutra crónica, o efeito mais evidente da Guimarães 2012 é a maior visibilidade internacional da cidade, que se reflecte num aumento da procura turística. Por último, o grande problema de Guimarães continua a ser o escasso tempo de permanência dos visitantes no concelho, o que provoca um reduzido impacto sobre o comércio tradicional, a restauração e a hotelaria – especialmente quando se assiste ao famoso efeito “escorrega” entre o castelo e o Campo da Feira das excursões organizadas por operadores turísticos.

Se é certo que não podemos pôr em causa a mais-valia do centro histórico como espaço central da estratégia turística do concelho, também me parece evidente que a forma de ultrapassarmos o problema da escassa permanência em território vimaranense dos visitantes é criar ofertas alternativas e alargar os circuitos turísticos, como forma de fazer passar a mensagem de que Guimarães não são só as quatro ruas e duas praças que se visitam em duas horas.

Causa-me, por isso, alguma confusão que não se encontre qualquer referência na zona do centro da cidade à Citânia de Briteiros, aquele que é o mais importante espaço patrimonial do concelho, depois do centro histórico. Por exemplo, a primeira sinalética que me lembro de encontrar na estrada está em Fermentões… Parece-me verdadeiramente sintomático.

No concelho, há potencial para criar produtos alternativos ao centro histórico. Por exemplo, uma rota de frescos em igrejas (que se estende a Corvite e Serzedelo); ou um conjunto de casas senhoriais que, em rota ou individualmente, podem ter um forte interesse para um público específico. E depois há o Norte do concelho. À volta da vila das Taipas encontra-se um conjunto impressionante de espaços com interesse patrimonial e turístico que podem funcionar como essa oferta complementar de que o centro histórico precisa.

Descobri ou redescobri alguns desses lugares ao longo deste ano. Vários destes exemplos constam do livro Segredos de Guimarães, que escrevi nestes últimos meses e que, no início de Novembro, será lançado pela editora Centro Atlântico. Como é o caso do Castro de Sabroso, em S. Lourenço de Sande, da magnífica cachorrada da igreja de S. Salvador de Souto, ou dos frescos na igreja de Corvite, que, na sua beleza singela e arruinada, se tornou num dos meus recantos favoritos do concelho. Juntamente com a vila das Taipas e a Citânia de Briteiros, formam um conjunto poderoso à espera de ser descoberto pelos locais e comunicado aos visitantes.

Jornalista do Público