Smartini convencem em Lisboa
Terça-feira, Fevereiro 7, 2006

Os Smartini iniciaram um périplo pela capital em grande forma. Correu bem. Regressaram num Sugar Train. O Reflexo esteve lá e trouxe as reacções.

Com algum atraso, noticiamos o primeiro concerto dos Smartini em terras mais mouriscas. Foi em Lisboa, no passado Sábado, no Lounge, lá para os lados do Cais do Sodré.

Encontrei os Smartini quando estava a chegar ao Lounge, mas fomos beber uma Guiness a um Irish Pub, antes do concerto. Para descontrair. Afinal era o primeiro concerto em Lisboa e, por muito que nos custe, a visibilidade e o impacto na capital são determinantes para quem se quer afirmar na cena musical cá na lusitânia.

O concerto estava marcado para as 23h30 e foi a essa hora que fomos para o Lounge. Estava ainda pouca gente. As noites lisboetas começam tarde (e são de porta em porta, como diziam os UHF há umas décadas atrás).

Confesso que foi a primeira vez que vi os Smartini ao vivo. Conheço-os há muitos anos, do tempo dos Subcultura (e dos Carpe Diem, já agora). E conhecia três músicas, que estão disponíveis para download ou que passaram na Antena 3. Nas gravações estavam muito mais maduros. Mas não sabia como seria o concerto. Nem as reacções que iriam causar.

Os factos: pelo Lounge têm passado grupos que dão cartas na música portuguesa, como os Linda Martini ou os Old Jerusalem. Há concertos todos os dias. Os de Sábado à noite são os principais e têm mesmo um destaque maior no programa. Foi o caso dos Smartini. O bar é pequeno, quem lá vai sabe que vai ouvir música ao vivo, chegam a várias horas e às vezes pegam na cerveja e vão para a rua, onde se ouve a música e se conversa ao mesmo tempo.

A prestação dos Smartini: se não estavam seguros, pareciam. Tudo muito certinho, som directo mas bom (a voz um bocadinho baixa, mas acontece). No fim comentaram comigo que achavam que podia ter sido melhor. Acho que é a reacção normal de quem está do lado de lá. Para o público esteva perfeito.

As reacções do público: muito positivas. O bar esteve cheio em várias alturas do concerto, que durou cerca de 50 minutos. Muito bater de pé e abanar da cabeça. Houve quem se chegasse à frente e de lá não tivesse saído até ao fim.

A minha reacção: a minha reacção não deve contar muito. Mas, mesmo assim, cá vai: Adorei. Vi uma banda segura, profissional, que leva a música a sério, que evoluiu muito desde os idos inícios da década de 90, que é coerente, que toca boa música. Sou suspeito, porque tive a minha fase Sonic Youth, porque gosto dos Yo La Tengo e porque se notam estas sonoridades nos Smartini. Os acordes mais suaves e melódicos encaixam na perfeição com as guitarras que que entram a rasgar logo a seguir. E eles fazem isso bem. Num espaço como o Lounge funciona na perfeição e ninguém ficou indiferente.

Já agora: esteve lá uma fotógrafa que se fartou de disparar o flash. Estava a acompanhar o jornalista do Blitz, pelo que hoje (terça-feira) deve ter saído qualquer coisa no jornal. Vão às bancas procurar. E depois digam qualquer coisa.

Próximo concerto em Lisboa: 24 de Fevereiro no Restart

Pedro Vilas Cunha
em Lx

Post-Scriptum: espero que os Smartini sejam apenas a primeira banda das Taipas a entrar no circuito lisboeta. E espero que o MAT ganhe pujança, para que este fenómeno musical que está a acontecer nas Taipas, comece a constar além fronteiras (sejam elas quais forem). Os Mantra neste fim-de-semana estiveram no Vila Flor (já foi noticiado) e os Genuyn e os Under_score andam em digressão. Quando é que os Delta nos mostram os seus Works? 🙂

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