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Sinceridade consigo próprio
Terça-feira, Abril 15, 2014

Os Dicionários definem a sinceridade como uma qualidade, e a pessoa sincera como uma pessoa aberta que expressa aquilo que pensa ou sente, uma pessoa franca, espontânea, simples.

É mais fácil descrever atitudes de pessoas que, numa determinada situação, foram sinceras, do que explicar a sinceridade com palavras abstractas. É o caso, por exemplo, do vinho do Porto. Por mais palavras que se utilizem para explicar o seu sabor, não se ficará a ter a noção exacta do que é, o seu sabor. É preciso pegar num cálice e beber, se queremos saber o que é este famoso vinho de marca.
O contrário de sinceridade é a falsidade, a hipocrisia, a calúnia. E estes anti-valores também se podem encontrar nas pessoas e na sociedade.

Para uma pessoa poder ser sincera com os outros, é preciso que esteja em condições de ser sincera consigo própria. Isto parece fácil, se se considera que tudo depende de um simples acto de vontade. Mas, na realidade, não é tanto assim, pois a sinceridade exige um processo de amadurecimento que se inicia na idade infantil.

A criança será sincera consigo própria se vive num ambiente propício à sinceridade. Habituar-se-á então a ser sincera consigo própria.

Se vive num ambiente repressivo, onde dos pais só ouve palavras que a inibem, ela crescerá tímida e sem coragem para comunicar com sinceridade os seus sentimentos. Terá medo de contradizer os seus pais autoritários.
Se, pelo contrário, vive num ambiente de compreensão e de carinho, a criança sente que pode expressar-se com sinceridade, pois sabe que encontrará por parte dos seus pais a segurança de que necessita. Sabe que, mesmo discordando deles, é compreendida e amada.
É nos primeiros anos que se vai moldando a personalidade. Este valor da sinceridade é um desses que se vão reforçando e amadurecendo com o passar dos anos.

Durante o período da adolescência, a gente nova vai-se distanciando dos pais para preferir estar com os colegas da mesma idade. A vida em grupo é um espaço onde podem exercitar-se na sinceridade. Os rapazes e as raparigas, que tanto apreciam a sinceridade, deverão exercitar-se na comunicação sincera.
Esta sinceridade não se resume a cada qual dizer livremente o que sente e pensa. Cada pessoa é um mistério. É preciso criar um clima de muita confiança no grupo, para que possa acontecer comunicação de qualidade. Só num clima de confiança mútua é possível os adolescentes partilharem o que sentem verdadeiramente. O grupo é uma escola de aprendizagem.

O adolescente irá também tornando-se cada vez mais sincero, se encontrar no seu quotidiano amigos de verdade ou irmãos com quem possa comunicar.

Os adultos necessitam de ser sinceros consigo próprios. O adulto sincero é o contrário do hipócrita, isto é, daquele que se julga maior do que é, que quer fazer passar para os outros a imagem de uma personalidade que não tem.
Não é fácil hoje manter esta sinceridade, vivendo nós numa sociedade em que se utilizam facilmente as máscaras para ocultar aos outros quem somos. Vivemos, de facto, numa sociedade onde conta muito parecer e aparecer com uma boa imagem, um bom visual, uma boa aparência. Se o “look” falha, é um desastre.

Apesar de todas as dificuldades, é importante aparecermos e sermos tais como somos, com transparência, sem máscaras.

Aproveito para desejar a cada um e a todos uma santa e alegre Páscoa, onde a paz, a união e a verdade com amor possam fazer-nos esperar por uma vida nova, melhor, com mais sentido e felicidade no seio das nossas famílias e da nossa sociedade.

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