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Ser concelho ou não ser concelho, eis a questão
Quinta-feira, Julho 1, 2004

O incómodo é maior, ao que me dizem, quando, em vésperas de eleições, eu apelo ao julgamento dos agentes políticos.
Salvo opinião mais douta, eu penso que as eleições são o momento em que os eleitores formalizam a sua vontade, a qual se foi formando e consolidando acto após acto dos governantes e dos diversos protagonistas no poder ou na oposição. Sendo eu um responsável partidário, qualidade em que fui convidado a escrever no Reflexo, nada mais natural e lógico do que lembrar aos meus pacientes leitores o dever de avaliar o desempenho dos governantes e as propostas da oposição.
Vou, obviamente, continuar mês a mês a trilhar este caminho, na convicção de ele contribuir para interessar os cidadãos pela vida pública e de, por essa via, os convocar para a luta pelo progresso das Taipas no quadro da democracia representativa em que assenta o regime constitucional português.
Hoje, por exemplo, volto à questão do putativo concelho das Taipas. Matéria nada pacífica, que causa rupturas, que separa águas. E ao contrário de outros que preferem não se declarar a tal respeito, eu escrevo o que penso e sobre esta questão eu não subscrevo a criação do concelho.
Nas actuais circunstâncias político-administrativas, considero ser desajustado e quiçá perigoso acenar com a reivindicação auto-nomista. Por quê?
Desajustado, porque se há mandato durante o qual a sede do concelho tem feito obra nas Taipas, é o actual. Em valor e em consequências na qualidade de vida das populações. A Feira e a Variante permitem alterar profundamente o trânsito, permitem redefinir os espaços públicos, os jardins e áreas verdes, os estacionamentos. O sossego pode regressar ao centro da Vila, para descanso dos turistas e tranquilidade dos moradores e comerciantes.
Estamos satisfeitos? A resposta é precisamos de mais.
Precisamos da ligação nova à sede do concelho e de equi-pamentos sociais para os mais jovens e os mais idosos. Precisamos de estruturar o parque, dotando-o com uma avenida marginal da praia seca à ponte românica. Precisamos de um terminal de transportes públicos de passageiros. Precisamos de um pavilhão para a prática desportiva na nossa escola secundária.
O volume investido nesta legislatura nas Taipas indicia que a Câmara de Guimarães está agora disposta a conceder o que durante sucessivos mandatos adiou e se assim for, se o caderno reivindicativo for acolhido e as obras executadas ao ritmo imposto pelas disponibilidades orçamentais do município e do País, introduzir na agenda política a questão do concelho não se justifica como reacção a atitude discriminatória, mas apenas e só por motivos de outra natureza. Que não conheço.

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