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Sem o amor, tudo passa a nada
Terça-feira, Agosto 9, 2016

Fazer o elogio do Amor é como tentar meter a imensidão das águas do oceano numa minúscula chávena. Baste considerar o facto de que o Amor é tudo o que Deus é. Além disso, o Amor é tudo o que podemos aspirar e ser de grande, belo, verdadeiro e bom…

Ao escrevermos a palavra Amor sempre com letra maiúscula, é um pequenino sinal para o distinguir das falsas imitações do verdadeiro Amor. Há tantas «notas falsas» em circulação, prometendo fortunas de amor que nada valem. São egoísmo disfarçado de amor, mas no fundo não passam de ganância, prazer, egolatria, erotismo, vaidade, poder…

Costuma-se chamar ao Amor, à Caridade, a pérola das virtudes. Mas isso é dizer pouco. O Amor é a única vitamina essencial que a tudo dá saúde. É o fermento que leveda qualquer massa, por mais pobre que seja. É a seiva que dá vitalidade a qualquer ramo seco. É a virtude que torna virtuosas todas as demais virtudes. Sem o Amor, tudo se reduz a nada, como recorda o apóstolo Paulo: «Ainda que falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade sou como o bronze que soa ou o címbalo que tine. Ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas, se não tivesse caridade não seria nada. E ainda que eu distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres e entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse caridade, nada me aproveitaria» (1 Cor 13, 1-3).

Em qualquer dimensão humana, em qualquer virtude, só o Amor é que dá valor a todas as coisas. Sem Amor, nada há com jeito nem valia; qualquer coisa, por melhor que pareça, não passa de uma falsificação ou degenerescência. Assim conclui Santo Agostinho: «Reuni todos os outros bens. Se falta o Amor, não vos servem de nada». Por exemplo, a alegria sem Amor, passa a ser gracejo de mau gosto; a prudência acaba por equivaler a calculismo; a generosidade degenera em exibicionismo; o bom humor corrompe-se em cinismo trocista; a justiça passa a ser impiedosa e cruel; a fidelidade vira a legalismo; a coragem degenera em espectacularidade; a misericórdia confunde-se com permissivismo; a pureza muda-se para farisaísmo; a serenidade transforma-se em passivismo… Sem Amor, morre tudo o que há de bom sobre a face da terra.

Ir deliberadamente contra o Amor é um crime tão grave que S. João o qualifica de homicídio: «Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida» (1 Jo 3, 15). Por outro lado, o Amor é tão poderoso que até nos faz ressuscitar: «Sabemos que passámos da morte à vida porque amamos os irmãos» (1 Jo 3, 14). Tudo o que não vai na linha do Amor, mas do egoísmo, é anti-natural, «uma espécie de suicídio psicológico e teológico» que contraria a nossa mais profunda raiz em Deus-Amor, à imagem e semelhança do qual somos criados (cf. Gn 1, 27). Deixar de amar é condenar-se à morte, um atentado contra a própria vida. Mas «o Amor é forte como a morte» (Ct 8, 6); tão forte que até os mortos ressuscita…

Aproveito para desejar boas e retemperantes férias a todas e todos.

Padre