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Sem árvores não há floresta
Quarta-feira, Março 12, 2014

…“Se investirmos e valorizarmos o que é nosso contribuiremos para o enriquecimento do nosso país o que resultará na criação de mais postos de trabalho, no aumenta dos salários e das reformas e nos levará à estabilidade. A emigração diminuirá, os jovens casais terão condições para ter mais filhos, aumentando, assim, a natalidade e diminuindo, como consequência, o envelhecimento.
…gostaria apenas de fazer-vos perceber que não devem recear o futuro, pois os soldados não receiam a guerra e os médicos não receiam um paciente, ninguém deve recear aquilo para o qual se prepara e podem acreditar quando digo: o país vai melhorar, mas só com o vosso contributo. Portugal depende de nós!”

(Excerto de texto da autoria de um jovem de apenas 16 anos, Pedro Sousa, estudante de ciências e tecnologias do décimo primeiro ano na escola Secundária das Caldas das Taipas)

Afinal há jovens persistentes, que acreditam neste país e especialmente no seu POVO. Ao contrário dos nossos governantes, acreditam que um país só pode ser e estar melhor se o seu povo também estiver! Sem árvores não há floresta!

Não devemos nem podemos aceitar que, conforme se vai lendo e ouvindo, dos principais responsáveis pelo governo deste país e também pelos principais responsáveis do PSD e do CDS-PP, os partidos que o integram, se afirme, com o maior desplante, que o país está melhor mas que, infelizmente (acrescento eu), os portugueses estão pior!

São afirmações que nos devem deixar muito preocupados. Obviamente, não apenas individualmente, mas, especialmente, pelos nossos jovens e pelas nossas crianças, que serão, já amanhã, o futuro deste país e que ao contrário do que seria normal, não são estimulados e desafiados a ajudar a construir um Portugal mais moderno, mais desenvolvido, mais solidário, onde, efetivamente, as pessoas estejam primeiro. Muito pelo contrário. Diariamente uma das gerações mais qualificadas de sempre é, repetidamente, “convidada”/forçada a emigrar para outros países, um pouco para todo o universo, na busca das oportunidades que o seu país, através dos seus governantes, se nega a proporcionar-lhes. Os conhecimentos aqui adquiridos e nos quais se investiu significativamente são “lançados” fronteira fora!

Mas infelizmente as vítimas da política neoliberal que vigora atualmente no nosso país não são apenas os jovens! Temos um Governo que, se dúvidas pudessem ainda subsistir, trata as pessoas apenas e só como números, fazendo recordar outros tempos. É certo que, como nesses tempos, não temos nem polícia política nem a prática de tortura física. Mas a verdade é que os portugueses são, diariamente, torturados psicologicamente. São os cortes de reformas e vencimentos, é o aumento da carga fiscal, especialmente à classe média, é a pretensão, mais ao menos encoberta, de privatização da saúde e do ensino, numa clara determinação de limitar e selecionar o direito a esses importantíssimos direitos inalienáveis e salvaguardados constitucionalmente. É quando se promete cortar nas gorduras do Estado e constatamos que este está cada vez mais pesado, mais “obeso” e, infelizmente, cada vez mais endividado!

Noutros tempos, o da ditadura, especialmente em meados do século passado, pelos vistos, também era assim. Os governantes também, orgulhosamente, tal como agora, diziam que o país estava melhor. Os cofres cheios, mas os portugueses, tal como agora, estavam mais pobres e o acesso, por exemplo, à saúde e ao ensino era reservado apenas e só para alguns!

Na verdade Portugal só pode estar melhor para alguns, muito poucos. Os multimilionários estão cada vez mais ricos mas os casos de pobreza, muita dela encoberta, aumentam de dia para dia, tal é o número significativo e galopante das famílias em dificuldade. A resposta tem sido a criação das cantinas sociais para fazer face às situações cada vez mais frequentes de fome, que nos trazem à memória as filas do “caldo” dos pobres de outros tempos. É uma exceção que obviamente não é nem nunca poderá ser a regra. Portugal só poderá estar melhor se, e só se, os portugueses, efetivamente, também estiverem!

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