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Terça-feira, Novembro 6, 2012

Se o governo PSD/CDS conseguir executar o seu projecto de empobrecimento do país, daqui a dez anos Portugal será um paraíso para investidores oportunistas e exploradores de mão-de-obra barata e um inferno para quem tem de vender a sua força de trabalho para subsistir.

Se o orçamento para as universidades continuar a cair como tem caído em cada orçamento geral do estado, daqui a dez anos Portugal será não a China da Europa mas o Bangladesh da Europa, um país produtor de produtos de pouca incorporação tecnológica difíceis de exportar, baratos, um país de baixos salários e de reforma ainda piores, um povo a quem sempre se pedirá mais sacrifícios porque a procura interna é anémica e as exportações não bastam para um desenvolvimento sustentado.

Se o desemprego se mantiver nos níveis proibidos em que está e que se agravarão por força de políticas que penalizam o crescimento e favorecem a austeridade, os portugueses descem aos infernos, acentuando as desigualdades sociais, cavando o fosso entre ricos e pobres, comprometendo a esperança de um futuro melhor.

Este pesadelo não é de hoje, não começou com o governo PSD/CDS. Vem de trás, teve início nos famigerados PECs do PS/Sócrates e não passa com a mudança de primeiro-ministro ou de ministros, trocando Passos Coelho por Seguro. A vida mostra que não chega mudar as moscas.

Este pesadelo não vai embora por sua livre vontade. Tem de ser corrido.

Não vai embora livremente, porque está a executar o seu plano dito de ajustamento, um plano que mais não é do que castigar os operários e os trabalhadores em geral pela ousadia de em 1974 e 1975 afrontarem a ordem económica e social estabelecida, de afrontarem e vencerem os monopólios e os grupos económicos, monopólios e grupos que estão de volta e pedem vingança.

Essas transformações sociais e económicas de 74 e 75 estão na Constituição da República Portuguesa, sendo esse o motivo por que ela está agora debaixo de fogo no sentido de ser actualizada, isto é reescrita a favor dos poderosos e do capitalismo selvagem.

Dizem alguns que não há alternativa a esta política de empobrecimento. Percebe-se o pensamento deles: não havendo alternativa mantem-se o que está, mesmo se o que está é mau e não serve.

Mas há alternativa. Melhor há alternativas. Várias personalidades independentes o garantem. Por todas, João Ferreira do Amaral, respeitado economista. E partidos, como o PCP, com estudos teóricos fundados no conhecimento da realidade e com intervenções públicas, como a recentemente feita na Assembleia da República, pelo deputado por Braga, Agostinho Lopes, amplamente silenciada pela comunicação social nacional.

Este governo tem de ser apeado, porque perdeu legitimidade política ao romper o compromisso feito com o povo, ao executar um programa que é o inverso do que apresentou.

Se o povo não recuperar a soberania, descendo à rua, lutando contra os novos invasores e os colaboracionistas que os aplaudem, então Portugal, uma nação com 900 anos de independência quase ininterrupta, subsumirá numa Europa colonizada pela Alemanha, transformado no pedinte a quem os ricos sustentam por descarga de consciência e para ganharem um lugar no céu.