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Rosa Rodrigues
Segunda-feira, Maio 6, 2013

Num passado não muito distante, durante o primeiro mandato de Constantino Veiga à frente da Junta de Freguesia, surgiram suspeitas sobre desvios de dinheiro.

Como é habitual em tais circunstâncias, antes de se acusar alguém, impunha-se averiguar se os indícios de que a Junta dizia dispor eram confirmados.

Por consequência, foram abertos os competentes autos.

Porque a volúpia toldou os espíritos, os casos foram tratados de modo incompetente e deram em águas de bacalhau.

Mais tarde, já no presente mandato e dando corpo às insimulações formuladas pela ala mais sectária da equipa que governa a Freguesia, foi dado um passo no sentido de apurar se nos mandatos de Remísio Castro tinha havido contabilidade criativa, com o não registo de todas as entradas de dinheiro.

Em causa estavam além do citado presidente da Junta, as únicas funcionárias da autarquia que mexiam em dinheiro e emitiam recibos.

Uma das ditas funcionárias confessou voluntariamente e saiu. A outra ainda hoje trabalha na Junta.

O processo de inquérito conduzido pelo Ministério Público concluiu pelo arquivamento, à espera de melhores provas que permitam indicar os culpados, sem margem para erro, mas da sua leitura percebe-se que os registos contabilísticos deixavam a desejar, dando azo a que nem todo o dinheiro entrado fosse registado, podendo ir parar ao bolso de quem tinha acesso ao Caixa, lidava com dinheiros, e simultaneamente lidava com os papeis.

A decisão do Ministério Público não só não vai ao fundo das questões, como é injusta.

No caso da Escola da Charneca prova-se que a Câmara Municipal de Guimarães fez transferências e que os pais das crianças contribuíram com verbas, aquilo que eu baptizei de propinas dos pobres. O MP não foi mais ao fundo, dando-se por satisfeito sem nunca se questionar onde foi gasto todo aquele dinheiro ou se há equilíbrio entre dinheiro entrado e dinheiro gasto.

Mas o arquivamento é também injusto quando não distingue quem, pelo cargo ou pela função, movimentava dinheiro e papelada, de quem estava impedido de o fazer. O despacho do MP mistura pecadores e justos e isso é muito injusto para duas pessoas. O Abreu tem o palco da Assembleia de Freguesia para reclamar contra o silêncio. A Rosa não goza do mesmo privilégio. Aqui fica o protesto da sua honradez.

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