Romagem ao passado… no presente! (XXVI)
Domingo, Junho 2, 2002

Em Sande, foram vividos, no passado dia 19 de Maio, momentos de emotividade e vida intensa, por uma “multidão” de rapazes e raparigas de há 50 e 60 anos atrás que se juntaram no seu XXV Encontro da Velha Guarda Jocista.
Não era a saudade da “mocidade perdida” de que fala o conhecido fado. Era, antes, o reviver de uma juventude distante e ao mesmo tempo bem presente, estuante de entusiasmo, não obstante as marcas do tempo e as sequelas das lutas da vida. Dava gosto ver rostos remoçados a exibir uma frescura impressionante de optimismo e alegria.
Cedo, a partir das 9 horas, começaram, vindos de todos os cantos do Minho, a chegar ao belo Centro Paroquial de Sande, orgulho desta pequena – grande terra, cuja secção jocista do ramo masculino, festejava 60 anos. Era vê-los, a respirar mocidade por todos os poros, a abraçarem-se emocionadamente e a bendizerem o privilégio que lhes “aconteceu” aos 14, 15 anos na arrancada da sua militância jocista.
Tivemos a alegria de registar a participação do melhor que o sector tem das Taipas: além de outros elementos, quatro dirigentes que fizeram a elite do seu tempo, o Zé Baptista, o Manuel Marques, o Fernando Ribeiro e a Marieta Capela. De assinalar a comparência do Carlos Marques que também não faltou com o seu apoio logístico, bem como a colaboração, como repórter fotográfico e televisivo, do Eng.º Zé Freitas acompanhado pela sua encantadora “secretária”! Já tive ocasião de destacar neste Jornal o seu valor e com que orgulho eu, antigo operário e militante da JOC, condições de espírito que, graças a Deus, mantenho indelevelmente agarradas à minha vida, com que orgulho, repito, vejo vencer na vida este novo cheio de valor, “produto” de um humilde lar jocista!
Da parte da manhã, após as primeiras saudações e preenchimento de fichas, foi o afinar de vozes a relembrar a música da missa em latim, e melodias eucarísticas dos bons velhos tempos da nossa juventude bem como das saudosas canções jocistas que tantos alegraram a nossa mocidade. O passeio dos olhos embevecidos, pelos livros, jornais e revistas que as mesas – vitrinas, gentilmente cedidas pela Câmara Municipal de Guimarães, exibiam, espólio magnífico da minha Bibliografia Jocista que ajudou a formar a mentalidade de jovens de que saíram homens e mulheres responsáveis. Entretanto, às 11 H., uma comissão dos chefes dos diversos sectores diocesanos, deslocou-se à sepultura do Zé Marques que ainda há tão poucos dias nos tinha deixado para, na presença dos filhos, lhe prestarem uma simples mas evocativa homenagem rematada pela Oração Jocista a pedir que, “pela misericórdia de Deus, descanse em paz este antigo operário que morreu no campo de honra do trabalho”.
Às 12 H. em ponto – a pontualidade é uma virtude jocista! – apoiados por um dos 4 excelentes grupos corais de Sande, o “Flor de Liz”, dirigido pelo “maestro” Américo Lopes com a colaboração de um jovem organista que é uma revelação, teve lugar o ponto alto da jornada com a missa De Angelis cantada por toda a gente que provou ter ainda no ouvido a música e o latim de outros tempos. Momentos inesquecíveis os de tantas vozes bem timbradas a reboarem pelo vasto espaço do enorme salão. A bela homilia do Padre Armando Barreto integrada no espírito do acontecimento. Emocionantes as orações dos fieis adaptadas à idiossincrasia do auditório. A evocação dos mortos representados pelo Sousa, de Lordelo, o Quim Campos, de Gondar, o Carlos Fernandes de Mesão-Frio, o “trio dos magníficos” de Viana, Crispim, Salgado e Cunha, pelo Fernando Gomes, de Braga e, ainda quente, na sepultura, o saudoso Zé Marques, das Taipas.
Terminada a Missa que tinha começado pelo Hino Jocista e finalizada pelo vibrante Hino da Acção Católica, foi o assalto aos farnéis no magnífico refeitório da Escola de Sande que permitiu criar um ambiente de fraternidade cristã. Estivesse ou não preparada, toda a gente comeu pois aí se repetiu o milagre da multiplicação da comida, de tal forma, que ainda sobrou. No capítulo de bebidas, graças a 6 “granadas” de Esporão tinto de reserva da minha colecção e ao reforço do espritoso e crepitante tintol verde que o Duque apresentou em arcas frigoríficas ambulantes – fruto da abençoada terra da Deveza das Pontes da minha infância! – todo o coração dos homens se alegrou e o das mulheres não se entristeceu… mas tudo com peso e medida!
Às 15:30 H., como estava programado, começou a Assembleia Jocista, réplica das que se faziam in illo tempore.
A saudação da praxe foi feita pelo signatário que, com o Duque, assumiu o papel de anfitrião. Como o seu testemunho foi feito em opúsculo impresso, limitou-se a apresentar os diversos “oradores”.
Assim, tiveram oportunidade de falar sobre o seu passado jocista o Belarmino, de Fão, o Arménio, de Barcelos, o Jaime da Póvoa de Varzim, o antigo dirigente diocesano, Rodrigues, o João Correia Ferreira, do Bairro, a Margarida Carneiro, de Ponte, o Manuel Marques, das Taipas e a magnífica surpresa do Encontro, a jovem Diana, propagandista em regime livre da actual JOC, cuja mocidade e insinuante presença, aliadas a uma encantadora simplicidade, foi uma nota surpreendente nesta jornada e que nos dá a garantia de que “nós iremos até ao fim do mundo… e a Jêócê não perecerá”!
O Duque teve ocasião de “desenferrujar as carvelhas” da guitarra para acompanhar com o seu proverbial entusiasmo a inevitável “Hora do Fado”. Nos intervalos dos testemunhos, lá saíram as velhas melodias como o “Youkaidi” Jocista, “A plaina corre ligeira” e outras mais que o Zé Baptista dirigiu com a competência própria de um professor de música.
Fechou, com chave de ouro como é seu timbre, o grande Merlini que generosamente largou o aconchego e conforto do lar, nas paradisíacas margens da Barragem da Aguieira, nas imediações de Santa Comba Dão, abandonando por 1 dia e 2 noites a companheira da sua vida, a sua adorada Maria Ester! Deus pague ao casal Merlini!
Ó Merlini, a malta gostou de te voltar a ouvir pois tem ainda na retina o dinamismo do ines-quecível propagandista e, depois, Presidente Geral, de uma JOC ainda intangível, tal como Cardyn a sonhou e o Doutor Rocha no la transmitiu.
Registamos a tua afirmação que M.r de la Palisse não des-denharia de subscrever: também os jocistas são pecadores! Pois são, meu caro Mário Merlini, porque se o não fossem, a JOC seria hoje uma força imbatível ao serviço da Igreja nestes tempos atribulados em que até parte dos seus ministros a atraiçoam. A única diferença é que nos deu a ginástica necessária para nos levantarmos após as quedas e grande parte da mocidade dos nossos dias, deixa-se atolar na droga e no vício sem capacidade anímica para se erguer… além de andar p’raí a pregar o amor livre, o divórcio e o aborto! É por isso que temos as maiores esperanças que esta magnífica jornada em Sande, seja o ponto de partida para uma explosão jocista de que carece tanto a mocidade de hoje e de que o grupo de novos que nos acompanhou pode ser um arranque decisivo.
Tudo terminou com a Canção do Adeus, altura em que apareceu a honrosa visita do Sr. D. Eurico que motivações ponderosas de última hora não deixaram estar presente mais cedo como era seu grande desejo. Por isso, o nosso muito obrigado, Sr. Arcebispo!
A Comissão Organizadora do XXV considera-se saldada dos trabalhos e canseiras que teve e agradece cordialmente o contributo dos patrocinadores – até o amigo Albino, o dos aços e o Zé Cardoso, o da Saudade, contribuíram como Sandenenses honorários que são! – bem como a preciosa colaboração da Rosinha das Pontes, da Micas da Serração, das 2 irmãs Rosárias, dos funcionários da CUTIPOL, Francisco, do Ribeiro e do Leonel, do coro “Flor de Liz” e da presença de tanta gente. Um BEM – HAJA a todo o mundo! E até sempre…

Longos, 25 de Maio de 2002