Rio merdeiro
Sábado, Abril 3, 2004

Em resposta a dúvidas levantadas pela bancada da CDU na Assembleia Municipal de Guimarães, sobre a ribeira da Canhota, o Presidente da Câmara foi evasivo e pouco convincente, deixando mais intranquilos do que estavam os comunistas e seus aliados.

Sabemos todos que a ribeira não é um curso de água – é um esgoto a céu aberto, que, no tempo quente e seco fede que tresanda. E sabemos mais – onde estão os focos poluidores. Sabemos nós e sabe a Câmara. Por isso custa a perceber a razão de tanta demora na intervenção.

Obviamente, depois de tanto esperar, o que os Taipenses gostariam de ouvir de quem tem responsabilidades políticas nesta matéria é quando começam as obras. Mais do que saber quem são os culpados, directos e indirectos, passados e actuais. Não que seja da menor importância conhecer quem menospreza a saúde pública, mas porque enquanto se buscam os culpados e se discute como intervir e quem paga a factura das obras, o cheiro incomoda e destrói a imagem da vila, afectando o turismo e a hotelaria.

Tenho para mim que estamos perante uma clara violação das leis do município, além de uma sucessão de gravíssimos atentados contra a saúde dos cidadãos. Em nome do interesse geral, creio que a Câmara tem autoridade política e moral para adoptar procedimentos expeditos. E se quanto as aspectos de ordem legal subsistem reservas, que importa acautelar e esclarecer, sobra à Câmara razão para invocar os prejuízos para a economia local e os danos para a saúde da comunidade para agir rapidamente, procedendo a obras avalizadas por vistoria administrativa aos prédios, com posse administrativa dos mesmos e suspensão das licenças de habitabilidade ou de ocupação até ao cumprimento dos regulamentos municipais.

Estão em curso investimentos vultuosos na vila. Estão em carteira outros que a concretizarem-se vão renovar a imagem das Taipas e vão atrair mais turistas e viandantes. Todo este esforço autárquico e privado será prejudicado nos seus objectivos se a ribeira da canhota continuar a ser por mais tempo aquilo que agora é – um rio merdeiro.

Coisa com a qual a CDU e a maioria dos Taipenses não se conformam.