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Reprovar um orçamento mau é natural
Sexta-feira, Janeiro 16, 2015

A CDU reprovou o plano e o orçamento para 2015, sendo certo que deixou passar o orçamento de 2014 que não diferia do proposto agora pela Coligação Juntos Pelas Taipas. Sendo isto verdade, muitas pessoas se declararam estupefactas com a aparente contradição, o que nos motiva a dar as razões do voto negativo.

Regressemos temporariamente ao orçamento e plano para 2014. Quando o PSD e a CDU se debruçaram sobre o anteprojecto de proposta apresentado pelos social-democratas, rapidamente concluíram que o esqueleto da responsabilidade da Junta anterior continha muitas responsabilidades, muitos compromissos entretanto assumidos e pouca margem de manobra para proceder a alterações de fundo. No essencial o orçamento de 2014 foi da responsabilidade da Junta passada, limitando-se a nova Junta a respeitar e honrar o que já estava assumido. E nem podia ser de outra maneira, porque as receitas e as despesas, os deveres e as obrigações que transitam de executivos anteriores, são um legado que os sucessores honrados e sérios cumprem.

Se, como vimos, no caso do orçamento de 2014 o figurino estava desenhado, já em relação ao orçamento para 2015 havia toda a margem para ter em consideração, ter respeito pelas propostas da oposição e em especial as propostas da CDU. Propostas que vêm do ano passado, desde a redução do número de dias das Festas da Vila, até à reformulação da vigilância da Feira.

Esta foi a primeira causa do voto negativo. Mas outras há.

A proposta da maioria social-democrata para 2015 repete e insiste no modelo passado quanto à ausência de uma verdadeira política social, que não vai além dos estafados passeios de idosos e jovens. Não há uma estratégia consistente para enfrentar a fome e a miséria que afectam famílias taipenses, sendo doloroso perceber que a Junta não conhece a realidade do território que governa. Ninguém sabe quantos pobres há, onde estão, onde moram, embora as escolas sintam e conheçam os problemas sociais graves que entram portas adentro.

De cultura não há vestígios. Longe vão as feiras do livro e do artesanato, não há tertúlias sobre a história local, sobre o nosso passado.

As Festas da Vila prolongam.se por extenuantes 30 dias, 30 dias em que as iluminações estão na rua acompanhadas de música gravada, sem que se perceba porquê e para quê, sendo porem certo que tanta duração inócua custa dinheiro, dinheiro que não há para acudir e apoiar quem sente a fome.

Em resumo, o orçamento para 2015 é um mau orçamento que apenas o PSD nele viu virtualidades. Até o PS viu o que a CDU viu, mas mesmo assim não foi capaz de juntar os seus votos ao nosso, obrigando os autores a rever a sua proposta. Importa dizer que ao contrário do que se disse, o chumbo do orçamento não implicaria a queda imediata da Junta. Essa desculpa não tem sustentação legal nem política, o que nos permite afirmar que o PS fica colado a um mau orçamento.