Remísio Castro – Ex-presidente da junta
Quarta-feira, Novembro 2, 2005

O presidente da Junta cessante não estava à espera do resultado eleitoral que ditou a vitória do PSD. Entende que se verificou a mobilização de um conjunto de eleitores que não entenderam o investimento feito pela Câmara e Junta neste último ano. Remísio Castro acrescentou que os taipenses deram um sinal de que preferem um cantor pimba no S. Pedro do que obras de vulto.

Certamente não esperava estes resultados eleitorais?
Esperava a vitória do Partido Socialista, pois tinha todas as condições para ganhar.
Como explica esses resultados?
Verificou-se um afluxo de novos votantes, cerca de 700, que se mobilizaram numa mudança, independentemente de saberem se era benéfica ou não para as Taipas. Acompanho as eleições de perto há dezasseis anos. Este ano vi muita gente votar pela primeira vez, verificou-se uma mobilização muito forte. Muita gente que não votava há muitos anos, desta vez apareceu.
No entanto, não havia razões objectivas para esta mudança. Neste último mandato tivemos grandes obras na vila, de grande vulto e numa situação de constrangimento orçamental.
Não conseguiram fazer passar essa mensagem na campanha eleitoral?
Tivemos uma postura muito séria durante a campanha, não fomos em populismos baratos. Quem utiliza o populismo, este acaba por lhe cair em cima e é o que vai acontecer.
Essas obras que referiu, não terão sido inauguradas muito tarde, não terão demorado demasiado tempo a concretizar-se? Outras não terão ficado aquém do esperado, caso da variante? As pessoas não penalizaram esses atrasos e as deficiências?
Em termos de Câmara Municipal, a indicação que os eleitores deram é que não queriam obras de vulto nas Taipas. Querem é um cantor pimba nas festas de S. Pedro.
Poderá haver outras situações que terão influenciado os indecisos, como, por exemplo, a colocação da bomba de gasolina na rotunda à saída para Braga, da qual até não temos culpa nenhuma. Pelo contrário, fizemos sentir junto da Câmara o mau-estar causado pela colocação da bomba junto dos habitantes da proximidade, tal como a da bomba do Intermarché, que também estará aprovada. As pessoas culpam-nos por este tipo de situações pelas quais não somos responsáveis.
A mudança de candidato no PS não terá contribuído para essa derrota?
Nós apresentámos uma equipa muito boa. Devo dizer que foi a melhor apresentada até à data.
Fica-lhe bem dizer isso…
Não, não, não. Foi mesmo a melhor equipa. Foi apresentado um bom candidato, jovem, ho-nesto, um taipense que conhece bem a terra.
Estes resultados foram um choque?
Para mim foram e também para muita gente. Tem de haver uma explicação e não é a de o “PS não ter feito nada nas Taipas nestes últimos anos”.
Também não terá contribuído para a vitória de Constantino Veiga, ao ter dado uma certa cobertura à actuação do seu tesoureiro durante o mandato?
Não dei qualquer cobertura. Tive uma postura séria e correcta. Não poderia retirar-lhe a organização das Festas de S. Pedro, quando ele as tinha organizado no ano anterior. Com que justificações? Fui avisado que ele iria ganhar grande visibilidade com as festas e, efectivamente, foi o que aconteceu, aproveitou-se das festas para se promover. Pensei que a população iria reagir contra esse aproveitamento, não aconteceu, foi a vitória do populismo, demasiado barato para o meu gosto.
O candidato do PSD é que foi sempre alterando o seu comportamento, basta ler o que ele foi dizendo no Reflexo. Que não se candidatava, que se o fizesse seria pela CDU e foi o que se viu.

Ver reacção de Constantino Veiga.

Ver reacção de José Luís Oliveira.

Ver reacção de Capela Dias.

Ver reacção de Ângelo Freitas.

Ver reacção de Vicente Salgado.

PUB

Artigos Relacionados