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Relações pré-matrimoniais e seus riscos
Segunda-feira, Abril 5, 2004

1. É válida, ou não, a ex-pressão que se ouve frequentemente: “Nós gostamos um do outro e, por isso mesmo, demonstramo-lo um ao outro”?
Infelizmente, também há pes-soas qualificadas, que deveriam ser peritas em problemas morais, que dizem com facilidade aos namorados: “O importante é amarem-se”. Se se reparar bem, esta acaba por ser uma afirmação banal e superficial. É que não basta amarem-se. É preciso amarem-se de modo conjugal. Não basta a intensidade do amor. O que conta é o tipo de amor.
Cada tipo de amor exige os seus gestos. Os gestos que exprimem o amor materno são diferentes dos gestos que exprimem o amor paterno. Os gestos que exprimem o amor de amizade são diferentes dos gestos que exprimem o amor dos namorados. Pois bem: o acto sexual (e os gestos íntimos que preparam o espírito, o coração, o corpo para realizá-lo) exprime somente o amor conjugal.

2. Há outros motivos pelos quais as relações pré-matrimoniais devem ser consideradas inaceitáveis?
Para não nos alongarmos muito, destacamos só alguns motivos.
2.1. As relações pré-matrimoniais podem ser o pressuposto de matrimónios errados: tantos jovens, de facto, já não têm coragem de voltar atrás na escolha (ainda que estejam con-vencidos) por se sentirem con-dicionados pelas relações sexuais que praticaram. Escreve D. Tettamanzi: “A liberdade de escolha e de decisão acaba por ser nada pouco comprometida, e em particular para a mulher, pelas relações pré-matrimoniais: estas, de facto, aumentam o perigo de uma decisão falsa, tomada, pois, sob a pressão de uma ligação já estabelecida”. Outros há que avançam rapidamente para o matrimónio numa condição de preocupante imaturidade.
2.2. As relações pré-matrimoniais impedem que se conhe-çam bem e que verifiquem se o amor aguenta também no meio das dificuldades, dos contra-tempos e do tédio da vida quotidiana. A vida matrimonial não é sempre poética. Às vezes, é dura e cheia de dificuldades. É necessário que sejam capazes de se amarem também no meio dos contratempos. Ora, a relação física, devido à psicologia “exaltada” que cria,
– impede que se verifique se o amor também aguenta perante as dificuldades;
– não favorece o recíproco conhecimento interior;
– cria a probabilidade de se reencontrarem, depois, muito diferentes daquilo que se tinham imaginado um ao outro.
2.3. As relações pré-matrimoniais podem ser o pressuposto de uma maternidade indesejada: esta maternidade pode levar muitos jovens a casarem-se mesmo quando descobrem que não deveriam casar-se.
2.4. Em caso de maternidade, corre-se, por outro lado, o risco (quando não se procede para o matrimónio) de dar a vida a uma criança que viverá sem pai: e esta é uma grande injustiça!
2.5. Em caso de maternidade indesejada, toma-se, por vezes, a tristíssima decisão de abortar, para não ter que enfrentar tantas dificuldades de tipo familiar, pofissional ou social: nestes casos, as relações pré-ma-trimoniais são o pressuposto de um grave delito.
2.6. As relações pré-matrimoniais, pelo contexto em que são efectuadas, deixam muitas vezes nos dois “partners” (par-ceiros) um profundo sentido de “imperfeição” psicológica.
2.7. As relações pré-matrimoniais arriscam de criar nos jovens uma concepção banal, irrelevante e fisicista do gesto sexual.
2.8. O gesto sexual entre os namorados é intencionalmente separado do fim da procriação (que é um fim essencial da sexualidade), enquanto que no matrimónio o gesto sexual, mes-mo quando é propositadamente infecundo, insere-se sempre no contexto da fecundidade global do matrimónio.
2.9. Para os cristãos vale também esta profunda motivação: a união dos cônjuges cristãos é símbolo da união esponsal entre Cristo e a Igreja, ou melhor, é uma inserção nesta união esponsal! Mas os namorados, que ainda não receberam o sacramento do matrimónio, não estão habilitados a esta comunhão significativa. O Novo Testamento liga claramente o uso da sexualidade ao matrimónio. Por isso, os namorados unem-se “fora do Corpo místico de Cristo” (que é a Igreja).
(Continua…)

Março 2001