PUB
Recado do Pai Natal
Sexta-feira, Dezembro 19, 2014

Foram “roídas” por uns espertalhões que as puseram a render lá fora, em paraísos fiscais ou as gastaram em bens materiais ou outros. Quanto às moedas, as de ouro já se tinham esgotado há muito e as outras enchiam alguns pequenos potes que se iam mantendo a muito custo e fechados a sete chaves. Mas… até esses os ratos levaram e o Pai Natal ficou embasbacado a olhar para o pequeno cofre de Portugal onde teria de procurar o pequeno tesouro com que, todos os anos, fazia sorrir as crianças desse pequeno país tão belo e tão cheio de História, mas que uns tantos teimavam em vender ao desbarato.

“Pensei que já estava tudo bem nesta nação de navegadores e que as tribulações eram coisas do passado!” murmurou o Pai Natal para as suas longas barbas brancas e, num breve estalar de dedos, começou a ver o país em questão: “antigo primeiro-ministro na prisão”, “fraudes bancárias”, “branqueamento de capitais”, “contas offshore”, mansões para os figurões, juros elevadíssimos dos empréstimos externos… e ficou horrorizado. Por onde andavam a solidariedade, a igualdade, a fraternidade? Ninguém estendia a mão a outro desinteressadamente? Voltou a olhar e viu o povo, coitado, a fazer sacrifícios, a não receber subsídios, a ver os seus direitos sonegados, a sofrer em silêncio, a procurar amealhar migalhas para, na sua ingenuidade, tapar buracos que não tinha feito e teimar em encher os pequenos potes da economia.

“Coitados, que gente esforçada e tão cega! A estes, a democracia fez mal. Gastaram mais do que deviam e podiam, mas já aprenderam a lição. Então, porque é que colocam no poleiro os que querem encher os bolsos? Tenho de fazer qualquer coisa, por pequena que seja, e esperar que alastre como o dilúvio sobre a terra. Olha, tu que me estás a ouvir. Escreve qualquer coisa. Faz barulho! Diz a quem te lê que as crianças têm direito ao Natal, que o povo tem direito à habitação, à alimentação, à educação, ao emprego, à saúde… enfim, a tudo quanto consta na vossa Constituição. E metam toda essa cambada gananciosa e egocêntrica na prisão!”

Cumpri as ordens do meu sonho. Não tenho voz para me fazer ouvir pelos tais que estão a destruir o país, mas, pelo menos, fiz ecoar a mensagem.

Bom Natal, na medida do possível!

26