Reabilitação do Edifício Jordão e Garagem Avenida para Escola de Música, Artes Performativas e Visuais
Sábado, Dezembro 27, 2014

Câmara Municipal aprovou, com o voto contra da CDU e a abstenção da coligação Juntos por Guimarães, a contratação de serviços para a realização dos projetos de arquitetura e especialidades para a reabilitação do Teatro Jordão e Garagem Avenida, com um custo a rondar os 400 mil euros

“Querem a destruição da sala de espetáculos”, Torcato Ribeiro, CDU
O vereador da CDU foi muito crítico quanto ao caminho que o executivo está a assumir na recuperação do Teatro Jordão. Apesar de a intenção da Câmara Municipal com a intervenção em curso pretender a “reabilitação e refuncionalização do edifício em causa no sentido duplo da valorização do património arquitetónico e cultural da cidade de Guimarães e do favorecimento de condições de difusão e formação da arte como veículo de desenvolvimento e qualidade de vida da cidade e dos seus cidadãos”, Torcato Ribeiro centrou a sua intervenção numa questão: “Dizem que a sala não é necessária, então pergunto, se não é necessária por que é que se comprou o teatro? Querem a destruição da sala de espetáculos. Sendo um imóvel da nossa memória coletiva, deveria ser preservada, não sabemos o futuro da cidade e poderemos vir a necessitar de algo com as características dessa sala. Depois da sua destruição não será possível a sua recuperação.”

“A Câmara tem deitado dinheiro ao lixo”, Ricardo Araújo, PSD
Apesara de a coligação Juntos por Guimarães se ter abstido na votação, Ricardo Araújo foi igualmente muito crítico para com o executivo liderado por Domingos Bragança: “A memória do teatro Jordão é a sua sala de espetáculos. O anterior projeto, que a Câmara acabaria por rescindir na reunião de julho, passava pela sua destruição. Com a aquisição da Garagem Avenida, há um facto novo, mas o determinante continua a ser se a sala de espetáculos se mantém ou não? A indefinição mantém-se, o seu programa funcional não se encontra definido e daí a nossa abstenção. Sabemos que se pretende criar um espaço para bandas de garagem, criar condições para a instalação da Academia Valentim Moreira de Sá e do curso de Artes performativas da Universidade do Minho, mas subsiste a dúvida central sobre a sala de espetáculos, memória central desse equipamento.

“Com toda a veemência, se fosse hoje fazia o mesmo”, Domingos Bragança
O presidente da Câmara não tem dúvidas quanto à aquisição do teatro Jordão. Questionado diretamente se a Câmara não estava “arrependida” quanto à aquisição do edifício, a resposta foi clara: “Com toda a veemência, se fosse hoje fazia o mesmo. É um edifício que está na memória dos vimaranenses e que completa a reabilitação de Couros, que queremos enquadrar no âmbito do Património Mundial da Humanidade, será um novo espaço do conhecimento. Quanto à manutenção da sala de espetáculos, o presidente da Câmara referiu que “Guimarães já tem bastantes salas de espetáculos. O importante é preservar a memória do edificado, o seu exterior será preservado e o seu interior será mantido até ao limite do que for possível, sem colocar em causa a sua função de escola de música, das artes performativas e das artes visuais, tendo sempre presente o enquadramento deste projeto nos fundos comunitários”.