Rastreio Oncológico
Sexta-feira, Março 4, 2011

O rastreio oncológico, ou vulgarmente chamado rastreio de cancros, tem como objectivo detectar a doença, neste caso, as lesões malignas ou pré-malignas, numa fase em que ainda não existem queixas por parte do doente e quando ainda é possível fazer algo no sentido de curar ou evitar a sua progressão.

No entanto, nem todo o cancro pode ser rastreado, isto é, há apenas um número limitado de cancros em que faz todo o sentido rastrear, isto porque apresentam um determinado tipo de características, nomeadamente:
• Um período sem sintomas prolongado;
• Lesões que podem ser detectadas na fase sem sintomas;
• Possibilidade de tratamento dessas lesões para melhorar o resultado final;
• Testes e/ou exames de boa qualidade, acessíveis, baratos, com boa tolerabilidade e aceitáveis por parte do utente e o mais inócuo possível, isto é, com o menor número possível de efeitos laterais;
• E que após uma descoberta de uma alterações e/ou lesão por um teste de rastreio, essa tenha um tratamento aceitável, o que não se verifica na maioria dos cancros.

Face a todas estas características, actualmente faz todo o sentido rastrear o cancro da mama, do colo do útero e do cólon e recto (intestino grosso).

O rastreio está disponível e acessível a todos os utentes inscritos nos seus respectivos Centros de Saúde e/ou Unidades de Saúde Familiares, estando actualmente recomendada a sua prática da seguinte forma, segundo Plano Nacional de Doenças Oncológicas.

CANCRO DA MAMA
Mulheres entre os 50 e os 69 anos de idade, através da realização de uma mamografia bianual, isto é, de 2 em 2 anos;

CANCRO DO COLO DO ÚTERO
Mulheres sexualmente activas entre os 21 e os 60 anos de idade, através da realização de citologia cervical (o conhecido Papanicolau) a cada 3 anos, após 2 citologia consecutivas normais;

CANCRO DO CÓLON E DO RECTO (INTESTINO GROSSO)
Homens e mulheres com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos, com a realização de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes a cada 1 ou 2 anos, ou em alternativa a colonoscopia.

Sendo estes três tipos de cancro muito comuns entre nós, é muito importante que o doente adira ao rastreio. Contudo, antes do utente tomar a sua decisão quanto à realização ou não de rastreio, deve procurar informar-se junto do seu Médico de Família, pois este, melhor que ninguém, conhece o utente e saberá aconselhar o que é melhor para ele e esclarecer quanto aos testes utilizados, que não são de todo isentos de riscos, cabendo sempre ao utente a decisão final.

Um cancro também muito frequente entre o sexo masculino, mas que na maioria dos casos não se manifesta ao longo de toda a vida e cuja mortalidade é muito baixa é o da Próstata. Ele é muitas vezes questionado por parte dos utentes, no entanto, ainda hoje é discutido o papel do rastreio, colocando-se muitas dúvidas relativamente às vantagens que se realizar ou não rastreio.

O teste normalmente utilizado como forma de rastreio é o PSA total, que é um marcador presente no sangue que aumenta na presença de cancro, mas também com o aumento da idade, quando estamos perante uma inflamação ou situações benignas como a Hiperplasia Benigna da Próstata, uma entidade muito comum que não acarreta um grande risco para o homem. Sendo assim, muitas vezes podemos ter valores aumentados que levam à realização de exames adicionais, muitas vezes desconfortáveis para o doente e com efeitos laterais marcados, como por exemplo a biopsia que detectam na maioria situações benignas ou cancros que nunca causariam sintomas e que nunca seriam a causa de morte para o doente.

Perante estes factos o doente deve procurar informar-se junto do seu Médico de Família, para assim decidirem quanto à realização ou não de rastreio. Se optarem pela realização de rastreio do cancro da próstata, este passa pelo PSA total anual nos homens com idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos.

Como é do conhecimento de todos nós, o cancro é uma doença cada vez mais frequente na população. Existem actualmente formas e meios disponíveis a todos os doentes para que este seja evitado ou pelo menos para diminuir as suas complicações e mesmo a sua mortalidade. Elas passam pela adopção de hábitos de vida mais saudáveis mas também através da realização de rastreio.

Sendo assim, é importante que todos nós recorramos ao nosso Médico de Família por forma a realizarmos o rastreio, sempre conscientes do que ele implica a nível de benefícios mas também de prejuízos, prevalecendo maioritariamente os benefícios.