Quem nos dará razões para esperar?
Segunda-feira, Dezembro 10, 2012

Na linguagem quotidiana utilizamos muitas vezes o verbo esperar: esperamos curar, esperamos encontrar uma pessoa amiga, esperamos um bom emprego, esperamos que a situação económica e social melhore… E falamos de esperança como algo que nos anima no mais íntimo e nos dá força para viver e lutar. Hoje, em contexto generalizado de crise, precisamos urgentemente desta esperança como de oxigénio para os pulmões. Ela é como vento que empurra a vela do nosso barco, para que possa avançar no mar da vida. Dizemos, em casos desesperados, que a esperança é a última a morrer. Pior que perder as riquezas, seria perder a esperança.

Falamos também, a nível mais universal, da esperança que temos de que amanhã o mundo será melhor. Só os que aderem a uma “cultura do pessimismo” são catastróficos e anunciam tragédias. Quem tem esperança diz, por exemplo, que um novo milénio não é o fim do mundo, mas o começo de um mundo melhor. Não nos resignamos à fatalidade de caminharmos para o nada.

Mas quem nos dará razões para esperar? Se alguém nos interrogar acerca das nossas razões para a esperança, do que dá sentido ao nosso caminhar por esta vida de cabeça erguida e olhos postos no futuro, que lhe diremos? É que temos de ter uma esperança dentro de nós. A verdadeira morte dá-se, não quando o coração deixa de bater, mas quando se apaga a esperança. Cada pessoa vive na medida em que não se satisfaz com o hoje, mas tende para o futuro.

Vejamos, então, algumas razões para a esperança.

Há ideologias que oferecem uma esperança imanente, reduzida a esta vida, fechada a um futuro transcendente. É o caso, por exemplo, das ideologias humanistas e ateias, que falam de um homem novo e de um mundo melhor. Estes humanistas, certamente pessoas de boa vontade, procuram viver os ideais da fraternidade e lutam por um mundo mais justo e feliz. Trata-se de uma esperança imanente, sem perspectivas que satisfaçam as aspirações e os desejos mais profundos da pessoa humana. Na verdade, não nos dão uma resposta credível para o maior inimigo da esperança, que é a morte. É que, se tudo acaba na morte, o viver é verdadeiramente um absurdo.

Além disso, constatamos que os humanistas ateus, por maior que seja a sua generosidade, continuam a interrogar-se acerca desta estranha sede de infinito, deste estranho desejo de viver para sempre num mundo totalmente renovado. Mais ainda, quando constatam como vão caindo os mitos que anunciavam esperanças messiânicas ou “amanhãs que cantam”, mas sem Deus.

É muito conhecida a frase de Malraux, prenunciando que “o século XXI será religioso”, isto é, as pessoas buscarão em Deus as razões para viver e esperar! Quer ele dizer que, depois do desabar de todas as utopias sociais e políticas que punham toda a sua esperança apenas no homem, as pessoas estarão mais disponíveis para receber a Deus e a acreditar nas suas promessas, que superam tudo o que possamos desejar ou pedir.

As razões da esperança radicam numa pessoa chamada Jesus Cristo, que revelou com toda a sua vida o que é ser um homem de esperança. Por meio dele, Deus veio ao encontro da humanidade. Ele é Deus connosco. É o que celebramos em cada Natal e sempre que queiramos.

Vivemos com esperança porque acreditamos neste Jesus, que anunciou o reino de Deus num ambiente hostil e perante a incompreensão de todos, e esperou activamente na promessa de Deus na escuridão da nossa história, abandonando-se confiadamente ao Pai. Esta esperança contra toda a esperança levou-o a lutar contra os poderes estabelecidos, tanto religiosos como civis, que opunham resistência à vinda do reino de justiça, de fraternidade e de paz. Jesus experimentou com esta luta como é difícil mudar as mentalidades das pessoas e as estruturas. Apesar destas dificuldades, foi sempre um homem de esperança. Lutou por um homem novo e uma nova terra.

E Deus, que é fiel às suas promessas, ressuscitou-o dos mortos e constituiu-o Senhor. Ele está vivo. Se Jesus não tivesse ressuscitado, os cristãos seriam os mais infelizes dos homens. Mas Ele ressuscitou verdadeiramente e tornou-se para todos os que O seguem o primeiro dos ressuscitados. Nele já aconteceu a derrota dos maiores inimigos da esperança, inclusivamente a derrota da morte. Ele abriu para sempre para a humanidade as portas de um futuro novo.

Os cristãos, em diálogo com o mundo, não têm medo de dizer que Jesus Cristo é a sua esperança. Podem julgar-nos loucos por seguirmos a Cristo como aquele que vai à nossa frente e nos precede nos caminhos do futuro, mas ninguém nos tirará esta esperança. Como Cristo, que confiou em Deus, ressuscitou, também nós ressuscitaremos. E não apenas nós, mas também surgirão no futuro uns novos céus e uma nova terra. Nisto acreditamos e nisto esperamos firmemente.

“Deus escolheu aqueles que os homens tinham por ignorantes, para envergonhar os sábios e aqueles que os homens tinham por fracos para envergonhar os fortes. Deus escolheu os que, no mundo, não têm importância nem valor, para deitar abaixo os que parecem importantes. Assim, ninguém se pode orgulhar diante de Deus. É por Ele que vós viveis em união com Cristo Jesus, que é para nós a sabedoria” (1 Cor 1, 27-29).

Que o Natal de Jesus e a certeza da ressurreição alimentem de esperança todos os dias da nossa vida! Um Natal cheio de esperança para todos!