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Que Via para o Ave Park?
Quinta-feira, Abril 9, 2015

Existem muitos autarcas e candidatos a autarcas que gostam de encher a boca com a palavra “estratégia” para adjectivarem positivamente as suas intervenções; é que assim influenciam o entendimento que os ouvintes devem ter do seu discurso, agora, de forma quase proibida, chamada “narrativa”. E o que é a estratégia? Um plano? Um conjunto de ações tendo em vista a consecução de um objectivo? Pode ser isso tudo e mais o que se quiser tendo em conta o sector em que a pensemos.

Suponhamos que estratégia é a definição dos objectivos e do conjunto de ações constantes num plano para os atingir. Vamos ver se, relativamente ao Ave Park, houve, na realidade prática, uma estratégia definida ou não.
Dizia-se que um dos grandes objectivos do Ave Park era a criação de muitos postos de trabalho, principalmente de quadros técnicos superiores. Dizia-se que o Ave Park corresponderia à associação necessária entre o conhecimento/Universidade e as empresas, estas, enquanto industrias de concretização material das aplicações tecnológicas criadas e inventadas. Dizia-se que a massa critica especializada criada pelo Ave Park seria potenciadora de criação de empresas altamente tecnológicas e inovadoras.

Os objectivos, grosso modo, estavam definidos. Como se alcançam?
Primeiro: localização. Num descampado interior, nas bordas do Castro de Sabroso, algures entre Braga e Guimarães. Segundo: acessos. Recurso às vias tradicionais, com traçados urbanos, amplamente esgotadas há muitos anos e sem ligação próxima à auto estrada. Terceiro: atratividade. Aqui seria de referir os incentivos à instalação; à deslocação de empresas e conhecimento. A noticia é de que o Ave Park é caro e é preferível estar do lado de fora do que lhe pertencer.

Relativamente ao plano para conseguir os objectivos, nos itens em sublinhado, pode-se dizer que se falhou redondamente, por isso falhou a estratégia nesta vertente ou, melhor dizendo, nunca a houve.

E se o Ave Park falhou até à presente data, que garantias temos que vai “ganhar” no futuro. Afinal, tem pessoas diferentes mas a administração é a mesma.

Para as Taipas a grande questão actual e de futuro será a de mensurar a importância real do Ave Park para a vila e localidade; de que modo a riqueza produzida naquele espaço é gasta na vila e, de que forma, directa e indirecta, contribui para o crescimento e desenvolvimento da vila e zona imediatamente envolvente.

Não deve haver estudos realizados a esse propósito, mas deveriam existir: para as Taipas e para o concelho. A infima proximidade à cidade de Braga tem anulado todas as veleidades de que a riqueza eventualmente produzida pelo Ave Park seja de facto potenciadora do crescimento e desenvolvimento das Taipas/Guimarães e desviada para um concelho que se tornou, por muitas razões, mais atrativo.

Como inverter esta corrente?

É incontornável tornar as Taipas atrativa e para isso deveria ser realizado uma intervenção forte e decisiva na despoluição do Rio Ave e requalificação séria da zona ribeirinha na margem Norte entre as Taipas e a Praia Seca por forma a criar uma zona envolvente às Termas que permitam contribuir para atrair gente e para a viabilização desta infra estrutura.

Se nada for feito neste sentido, receio que a mais que decidida Via do Ave Park (via Fermentões, Prazins, Santa Eufémia, Barco) será mais uma porta aberta de entrada e saída de gente que trabalha e ganha no concelho mas vai consumir e pagar impostos noutro lado. E seremos uma vez mais ostracizados.